Com o avanço do Estado Islâmico (EI) e com o surgimento do movimento do xiitas Houti no Médio Oriente, várias forças internacionais estão envolvidas em ataques aéreos de grande intensidade, focadas essencialmente em áreas ocupadas pelo EI. Em todo o caso, importa destrinçar quem é que afinal está a bombardear quem na Península Arábica, em outras áreas do Médio Oriente e no Norte de África, agora que a Primavera Árabe terminou.

A Arabia Saudita está a atacar o Iémen por medo aos xiitas Houti, e também está a atacar o Iraque e a Síria por causa do EI. Os Emiratos Árabes Unidos também estão a atacar a Síria e o Iraque, e também por causa do EI.

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Na Síria a facção governamental por sua vez está a atacar as áreas controladas pelo EI e as áreas controladas pelas milícias opositoras do regime de Bashar al-Assad's dentro do território da Síria.

Os EUA, França, Reino Unido, Dinamarca, Holanda, Austrália e até o Canadá estão a atacar o EI na Síria e no Iraque, aqui em nome do Governo iraquiano, que também está a atacar o EI no seu território. Além destes países, também estão envolvidos neste esforço de guerra o Bahrain (a atacar zonas controladas pelo EI no Iraque e na Síria) e a Jordânia (neste caso, muito mais intensamente após o EI ter abatido um avião jordano e capturado o seu piloto e de estes terem divulgado um vídeo da sua morte, queimado vivo numa jaula).

No Norte de África, o Egipto está a bombardear uma parte da Líbia após a decapitação de uma serie de católicos por parte de um grupo com ligações ao EI.

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O Irão também já reconheceu bombardear posições no Iraque, o que deixa os EUA numa posição algo desconfortável em relação ao Iraque e ao relacionamento entre este país e o Irão. Por último, Israel está esporadicamente a bombardear posições governamentais na Síria, mesmo sendo esta uma escolha estranha dada a situação regional.

O que mais impressiona e no entanto a quantidade de forças que que se estão a bombardear e a ocupar os céus da antiga Mesopotâmia berço da civilização e a engrandecer a natureza sectária desta guerra, que parece assim clara aos olhos dos estudiosos ou residentes do Médio Oriente, e que se resume aos bombardeamentos dos sunitas sauditas aos xiitas no Iémen, e os xiitas iranianos atacarem os sunitas Iraquianos. Ao mesmo tempo os sunitas egípcios atacam os sunitas libaneses, da mesma forma que os sunitas jordanos atacam os sunitas iraquianos, enquanto o governo sírio de base xiita ataca a sua oposição interna, composta de milícias sunitas, e forças libanesas do Hezbollah lutam contra as forças sunitas ao lado da Guarda Revolucionária iraniana.

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Enquanto isto, as populações civis padecem nas mãos do EI ou como danos colaterais dos bombardeamentos dos aliados, e empresas como a Raytheon ou a Lockheed Martin aumentam os seus lucros com a venda de armamento. E o financiamento dos militantes do EI, que segundo o Congresso norte-americano são financiados por dadores privados da Arábia Saudita, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. #Política Internacional