Se a preocupação de outrora se prendia unicamente com as calorias ingeridas, agora existe uma preocupação acrescida, a de quantas árvores mataremos. O famoso creme de barrar, que é composto por avelãs e cacau em pó, tem também um elemento crucial, o óleo vegetal, retirado das palmeiras. Esse óleo é o motivo do apelo de Ségolene Roylar, ministra da Ecologia francesa, para o mundo parar de consumir Nutella, uma vez que conduz à desflorestação massiva das florestas tropicais.

As declarações da ministra foram dadas em entrevista televisiva ao francês Canal +, na passada segunda-feira, onde acrescenta que "essas palmeiras estão a substituir outras árvores, levando a danos consideráveis no #Ambiente" e que "a Nutella deve ser feita a partir de outras matérias-primas".

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A maior percentagem de óleo de palma que é usada na Nutella é importada da Malásia. A exploração de palmeiras já prejudicou em 12% a biodiversidade desse país. A restante quantidade é importada da Papua Nova Guiné, Indonésia e Brasil.

Mas esta situação não é inédita. Há dois anos e meio, senadores franceses tentaram impor uma taxa de 300% no óleo de palma, um ingrediente com um enorme peso na indústria agroalimentar, sublinhando os perigos de consumo do mesmo e as repercussões do seu cultivo para o ambiente. Contudo, a medida foi rejeitada.

Os comentários às afirmações de Sególene não se fizeram poupar. A primeira reação veio por parte da Ferrero, marca italiana que produz a Nutella. A mesma assegura que o óleo é usado de forma responsável e está "bem consciente das questões ambientais".

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Também a Greenpeace defende a Ferrero, afirmando que esta é "uma das companhias mais progressistas" no que diz respeito a esta matéria. Já Gian Luca Galleti, o ministro do ambiente italiano, pediu à correspondente francesa para "deixar os produtos italianos em paz", e acrescentou de forma caricata que o seu jantar seria "pão com nutella".

Num país em que se consome 26% da Nutella que é produzida na globalidade, as afirmações da ministra deixaram os franceses em polvorosa nas redes sociais. No Twitter geram-se discussões atrás de discussões acerca do tema. E entretanto, também através desta rede social, a própria ministra veio pedir desculpas por ter apelado a que se deixasse de comer Nutella.