"Só uma pessoa doente - e durante o sono - é que poderia imaginar que a Rússia atacaria subitamente a NATO". Foi deste modo que Vladimir Putin falou aos ocidentais, numa entrevista publicada este sábado, no diário italiano, Corriere della Sera. Numa altura em que a aliança ocidental está a reforçar a presença militar na Europa de Leste devido à ameaça russa, que, segundo a NATO, está a apoiar os rebeldes na Ucrânia, Moscovo já veio desmentir a sua participação, e desta vez é Putin que reafirma o risco de fomentar uma guerra. "O mundo mudou de tal forma que as pessoas sensatas não conseguem imaginar um conflito militar de grande amplitude nos dias de hoje." O actual presidente da Rússia, eleito em 2012, vai ainda mais longe, e afirma que Moscovo só tem como objectivo defender-se das ameaças exteriores, garantindo que é a favor dos acordos de paz na Ucrânia.

Publicidade
Publicidade

Putin explica os motivos pelos quais o Ocidente não deve temer o país que lidera, visto que, apesar do objectivo da Rússia ser "chegar à paridade com os EUA", o orçamento militar americano é o mais elevado do mundo. O "czar" reforça que os países pertencentes à NATO têm despesas de defesa dez vezes superiores às da Rússia.

Na passada sexta-feira, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, afirmou numa conferência que a Rússia tinha reunido tropas nas fronteiras e nas áreas controladas pelos rebeldes ucranianos "em números sem precedentes." Porém, uma vez mais, a Rússia desmentiu qualquer envolvimento do seu exército no país vizinho. Poroshenko informou ainda que a Ucrânia tem 50.000 soldados destacados na zona de conflito para enfrentar qualquer espécie de ameaça.

Publicidade

Vladimir Putin acusa ainda Kiev, na entrevista à publicação italiana, de ser responsável pelo reacender da violência no Leste do país. Segundo a BBC, mais de 6.400 pessoas foram mortas desde o início dos conflitos, em abril de 2014, no leste da Ucrânia, desde que os rebeldes pró-russos ocuparam a maior parte de duas regiões do leste, seguidos da ocupação russa na Península da Crimeia. #Política Internacional