Foi anunciado esta terça-feira pelo presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, o reforço do arsenal nuclear russo, com mais 40 mísseis de longo alcance "capazes de superar os sistemas de defesa mais avançados". "Seremos forçados a apontar as nossas forças armadas... a esses territórios, de onde vem a ameaça", disse Putin. O presidente russo fez os comentários um dia depois de as autoridades russas denunciarem um plano dos #EUA para armazenar equipamento militar pesado nos estados membros da NATO com fronteira com a Rússia. Putin disse que era o ato mais agressivo por parte de Washington desde o final da Guerra Fria.

"Este ano, vamos acrescentar ao nosso arsenal militar, mais de 40 mísseis balísticos intercontinentais capazes de penetrar todas as defesas existentes, até mesmo as defesas de mísseis mais avançados", disse o presidente russo, acrescentando que "o Estado está a realizar o programa de rearmamento militar e modernização da indústria de defesa". Vladimir Putin também disse que os testes de uma nova estação de radar de alerta antecipado vão começar em breve. O sistema será direcionado para o oeste. Uma estação de radar semelhante também deverá ser direcionada para o oriente. Em Abril, uma nova estação de radar iniciou suas operações na cidade de Armavir, no sul da Rússia.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, expressou preocupação com o anúncio de Putin. Já o Secretário-Geral Jens Stoltenberg disse que a declaração de Putin foi a confirmação de um padrão "desestabilizador e perigoso" do comportamento da Rússia.

Com a economia do país a aproximar-se da recessão, o aumento do investimento russo, mais concretamente no investimento na defesa em geral e na sua capacidade nuclear, em particular, explica-se pela intenção de Putin mostrar ao Ocidente que a capacidade militar da Rússia continua a ser eficiente e moderna, dando a entender uma afirmação de poder. A Rússia ocupou a Crimeia, província integrante do território da Ucrânia, em Março de 2014 e sem oposição internacional, e actualmente os movimentos militares rebeldes pró-russos e apoiados por Moscovo mantêm uma posição de força em áreas do leste da Ucrânia, na sequência do cessar-fogo que suspendeu o conflito com o governo ucraniano.