O Prémio Calouste Gulbenkian surgiu para distinguir pessoas, instituições ou projetos, nacionais ou internacionais, que se tenham diferenciado "na defesa dos valores essenciais da condição humana". Denis Mukwege, o médico ginecologista do Congo que venceu o prémio, dedica-se a tratar de mulheres vítimas de violações e mutilações, num país em que estas são usadas como armas de guerra.

Licenciado na Universidade de Medicina no Burundi, o médico inaugurou, em 1999, o Hospital de Panzi. Aqui, chegou a trabalhar 18 horas seguidas a ajudar milhares de mulheres. Denis Mukwege afirma que não sabe qual foi a pior coisa com que se deparou, pois "cada mulher violada tem a sua história e cada história é tão dura e tão difícil de viver quanto a que vem a seguir".

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O médico do Congo afirma que as mulheres são violadas colectivamente por grupos de homens e, muitas vezes, à frente dos filhos, maridos ou outros membros da família. Segundo o mesmo, é frequente surgirem vítimas com os órgãos completamente destruídos por espingardas, pedaços de madeira ou outros objetos usados pelos violadores com o intuito que a mulher fique estéril. Apesar das atrocidades a que assiste quase diariamente, o médico do Congo acredita que esta não é uma missão impossível e que "não se pode desistir, não se pode deixar de fazer alguma coisa".

Denis Mukwege vem a Lisboa receber o prémio, que será entregue na segunda-feira, dia 20 de Julho, às 19h. O júri foi constituído pelo ex-presidente Jorge Sampaio, por António Nóvoa, antigo reitor da Universidade de Lisboa, por Mónica Bettencourt-Dias, investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência, pelo comandante e antigo Presidente da República de Cabo Verde, Pedro Pires, pela princesa Rym Ali da Jordânia e por Vartan Gregorian, da Carnegie Corporation.

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O Prémio Calouste Gulbenkian tem o valor de 250 mil euros e é atribuído todos os anos. Em 2014 foi distinguida a Comunidade de Santo Egídio, uma organização não-governamental que apoia, a título voluntário, os menos favorecidos. #Causas