Chegou o dia que a Grécia mais temia. 20 de agosto de 2015, dia em que o primeiro ministro grego, Alexis Tsipras, renuncia ao seu cargo e entrega a sua carta de demissão ao presidente da república Prokópis Pavlópoulos. Após oito meses de luta constante com os organismos de gestão da União Europeia, Tsipras fica conhecido como o primeiro ministro que, provavelmente, terá arriscado mais a imagem do seu partido e do seu país ao desafiar todos os planos que o FMI teria para a Grécia. Intransigente, confiante e lutador, deixa uma marca na história da política grega e mundial.

Alexis Tsipras terá comunicado às televisões gregas que "entrega a sua demissão porque já esgotou o mandato cedido pelo povo em janeiro", estando "orgulhoso do acordo que conseguiu com os parceiros internacionais, o qual é o melhor possível para os gregos". Várias fontes de informação gregas reivindicam que esta será apenas uma manobra para forçar as eleições antecipadas, sendo uma estratégia do primeiro ministro para ganhar nova legitimidade perante os eleitores e para calar as vozes discordantes dentro do Syriza

De acordo com o Jornal de Negócios, o primeiro ministro que fincou o pé até ao último minuto pelo seu país e pela sua pátria marcou agora eleições antecipadas para setembro de 2015, estando a trabalhar na renovação da sua popularidade antes que novas medidas de austeridade apertem o cinto ao povo grego.

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Tsipras deve, assim, usar a questão da renegociação da dívida como arma eleitoral para garantir uma possível reeleição.

Biografia de Tsipras

Alexis Tsipras é de Atenas, tem 41 anos e é diplomado em Engenharia Civil pela Universidade Politécnica Nacional de Atenas. Juntou-se à esquerda enquanto estudante, tendo em 1990/91 um papel muito ativo nas mobilizações da Juventude Comunista da Grécia (KNE). Em 1999, foi eleito secretário da Juventude do Synaspismos, cargo que ocupou até ao 3º ano da primeira década de 2000, onde foi eleito para o comité central do partido. Concorreu a prefeito municipal de Atenas em 2006, ganhando protagonismo com o apoio da Coligação da Esquerda Radical (Syriza), acabando por ficar no terceiro lugar com 10,4% dos votos. Em 2009, foi eleito líder parlamentar da bancada do Syriza.  #Política Internacional