O activista angolano Luaty Beirão anunciou esta terça-feira, dia 27 de Outubro, o fim da greve de fome que tinha iniciado há 37 dias em protesto contra o excessivo tempo de prisão preventiva. O activista e os seus companheiros foram presos por suspeitas de rebelião e tentativa de homicídio do Presidente da República de Angola, mas continuam sem conhecer a acusação. Numa carta enviada precisamente aos seus companheiros na prisão, Luaty informa que decidiu desistir da greve de fome por se ter apercebido que “lá fora” as pessoas saíram da sombra para impedir que situações como estas se repitam em Angola. Coube à “Rede Angola” a missão de difundir nacional e internacionalmente a missiva de Luaty Beirão.

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Apesar de ainda consciente, a saúde de Luaty Beirão estava a deteriorar-se de dia para dia devido ao longo período sem comer. Desde 15 de Outubro que o activista se encontrava no Hospital Girassol, em Luanda.

De acordo com a Renascença, por ter sentido que aquela era já uma luta maior e que tinha ganho asas e muitos apoiantes, bem como a pressão de familiares e amigos levaram o activista angolano a pôr um ponto final na greve de fome. Foi a 21 de Setembro que Beirão iniciou um longo protesto para mostrar o seu descontentamento pelo longo período de prisão preventiva que dura desde 20 de Junho de 2015.

Além de Luaty Beirão, outros 15 activistas foram presos por suspeitas de preparação de rebelião e de atentado contra o Presidente da República Angolana José Eduardo dos Santos.

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São eles: Domingos da Cruz, Afonso Matias “Mbanza Hamza”, José Gomes Hata, Hitler Jessia Chiconda “Samussuku”, Inocêncio Brito, Sedrick de Carvalho, Fernando Tomás Nicola, Nelson Dibango, Arante Kivuvu, Nuno Álvaro Dala, Benedito Jeremias, Osvaldo Caholo, Manuel Baptista Chivonde “Nito Alves” e Albano Evaristo Bingo.

A greve de fome e todo o processo que envolve Luaty Beirão e os seus companheiros acabou por gerar uma onda de solidariedade que atravessou fronteiras. Foram vários os grupos de apoio que se juntaram em Angola e Portugal, levando as reivindicações dos “presos políticos” a organizações como a Amnistia Internacional e a ONU.

Na sua carta, Luaty Beirão garantiu que não irá parar de lutar e espera poder continuar a contar com todo o apoio da sociedade civil nacional e internacional, bem como dos media.

Por agora o activista angolano irá permanecer no Hospital Girassol em recuperação, num processo para o habituar novamente à ingestão de alimentos. #Personalidades #Causas