Foram a julgamento nesta sexta-feira (6 de Novembro), os 18 activistas detidos no dia 31 de Outubro no Lobito, sob acusações de desobediência às autoridades e assuada, quando pretendiam realizar uma manifestação exigindo a libertação dos 15 presos políticos detidos a 20 de Julho, melhores condições para os angolanos e destituição do Presidente da República, que já está há muito no poder.

Durante o julgamento os réus foram ouvidos; depois os comandantes das esquadras policiais que participaram nas detenções e o responsável pelo local onde os jovens foram detidos prestaram os seus depoimentos. De seguida, o Ministério Público declarou que os jovens cometeram o crime de “desobediência às autoridades” pelo facto de realizarem uma manifestação que não lhes foi autorizada e o crime de “assuada” por causarem dificuldades ao trânsito por causa dos panfletos que os mesmos distribuíam para a população.

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Por isso pediu que os jovens fossem condenados nos termos da lei.

O advogado de defesa dos réus, David Mendes, declarou que as manifestações na requerem nenhuma autorização, que os declarantes da polícia deram informações contraditórias, que os jovens não cometeram desobediência às autoridades e pediu a absolvição dos mesmos.

O juiz da causa absolveu os réus do crime de desobediência às autoridades por não haver provas concretas, mas condenou-os a dois meses de prisão pelo crime de assuada, convertido em 40 kwanzas por dia e uma caução de 52860 kwanzas. O advogado disponibilizou-se imediatamente para pagar a conversão da pena, mas o juiz negou, pelo que os jovens só serão soltos a partir do dia 9 de Novembro.

Questionado o advogado sobre o motivo que o levou a disponibilizar valores para a liberdade dos jovens, o mesmo respondeu que estamos na era da revolução e os activistas têm todo o seu apoio.

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No decorrer do julgamento, o advogado de defesa dos acusados chamou ao juiz “parcial”, isto pelo facto de o órgão do Ministério Público ter ficado calado durante o julgamento. Segundo o advogado, o juiz estava a comportar-se mais como Ministério Público e estava a tentar obrigar os réus a falarem.

Segundo um dos activistas, era de se esperar a sentença dos jovens, porque estamos diante de um sistema de governação alimentado pelo medo. Pensam que esta condenação vai atormentar os demais e impedi-los de realizarem manifestações. Mas vamos continuar a lutar para vermos os nossos direitos a serem respeitados e os nossos irmãos a serem tratados com dignidade e honestidade.

  #Política Internacional