As detenções tiveram lugar às 14 horas do dia 31 de Outubro, na praça do Africano, no município do Lobito, quando ativistas cívicos daquela cidade se preparavam para realizarem uma manifestação pacífica exigindo a libertação dos 15 ativistas detidos a 20 de julho sob acusação de tentativa de golpe de estado e atentado contra o Presidente da República, melhores condições para as famílias vítimas das chuvas do 11 de Março que até ao momento se encontram em situações precárias, e o fim às perseguições em Angola.

Segundo um dos ativistas que lá se encontrava para cobrir a manifestação, no momento em que se preparavam para começarem com as suas atividades, apareceram mais de 30 indivíduos entre os 17 aos 28 anos de idade, cuja a ocupação é de lavar carros e chamar clientes para os táxis que lá circulam; começaram a intimidar os manifestantes, retirando os materiais que seriam usados para a marcha (dísticos, megafones etc) e espancaram alguns ativistas.

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Logo depois apareceram carros da #Polícia e levaram os mesmos até à esquadra mais próxima, tendo sido posteriormente transferidos para a comarca municipal do Lobito.

O Dr. Francisco Viena, o advogado do caso, informou-nos (via telefone) que o mesmo já foi encaminhado na sala do juiz, estando a audiência está marcada para o dia 5 do mês corrente. Para além do Dr. Viena, está também inserido no processo para a defesa dos presos o advogado David Mendes.

Os familiares de alguns ativistas estão conscientes de que os seus parentes não cometeram crime algum; pelo contrário, estavam a tentar chamar atenção do executivo por causa do sofrimento que os Angolanos têm vindo a sofrer desde há muito tempo. Para tal, antes de tudo escreveram ao administrador que, com a sua arrogância, pensou que ele é "o dono" e mandou prender os defensores de uma Angola justa, “e em vez de mandar somente a polícia, organizou jovens cobradores e lavadores de carro para procurarem uma forma para brigarem com os ativistas que por sua vez não se manifestaram e deixaram-nos fazerem o que lhes ordenaram.

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Esperamos que os detidos sejam absolvidos, uma vez que não cometeram nenhum crime que ameaçasse a segurança do estado e muito menos que perturbasse a ordem publica".

De acrescentar que, em resposta à carta que os ativistas endereçaram ao Administrador do Lobito, Alberto Ngongo, no dia 20 de Outubro. No dia 21, Ngongo desautorizou a manifestação (o que contraria a constituição de Angola, uma vez que as manifestações devem ser informadas aos órgãos públicos e não solicitadas) e aconselhou os ativistas "a pautarem-se pelos critérios da legalidade para não serem responsabilizados civil e criminalmente nos termos da lei". #Direitos