Angola vive uma das suas piores crises desde a independência (11 de Novembro de 1975) com a constante queda do preço do petróleo. O El dourado para cerca de 200 mil portugueses é agora um mar de incertezas. Segundo a revista Visão, as empresas portuguesas começam a virar costas aquele país africano lusófono. O investimento diminuiu 27 por cento tendo como consequência esta fase menos boa em relação ao ouro negro. De referir ainda que Angola é o único mercado externo para uma em cada quatro exportadoras portuguesas.

“O sonho de todos os sonhos” para muitos emigrantes lusos tornou-se num desabar de desilusões. As empresas começam a não ter como pagar a matéria prima imprescindível à laboração.

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Os trabalhadores não conseguem transferir dinheiro para as famílias e só lhes resta fazer “as malas cheias de nada”, como diria o poeta Oliveira San Payo.     

Quanto ao investimento direto português em terras angolanas caiu 41,1%, ou seja, de €3 784 milhões para €2 229 milhões. As exportações desceram 27% entre janeiro e agosto. Das 22 mil empresas que exportam bens e serviços só no ano de 2014, 9 440 destinaram-no a Angola. O volume total das exportações portuguesas atingiu  €45 458 milhões, desses €3 042 milhões tiveram como destino terras angolanas  - ou seja, 6,7 por cento.  

A Somague, com 50% dos seus negócios em Angola, anunciou um despedimento coletivo de 273 trabalhadores, apresentando como principais razões para o fazer as dificuldades naquele mercado. Também a Unicer sentiu as “réplicas do terramoto angolano” e dispensou 105 trabalhadores; as vendas em Angola tinham caído 30 por cento.

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O petróleo constitui a maior riqueza e ao mesmo tempo a maior debilidade da economia angolana. Segundo refere a Visão, “o peso do setor petrolífero é excessivo: 40% do PIB; 95% das exportações e 75% das receitas orçamentais. E o petróleo está em baixa há mais de um ano. Em junho passado, o preço médio do barril de crude já sofrera uma redução de 43% face ao mesmo mês de 2014”. Contas feitas, o valor das exportações do setor petrolífero diminuiu, quer dizer, que dos 66 902 milhões de dólares, em 2013, passou-se para os 57 642 milhões, em 2014,prevendo-se que em 2015 deverá situar-se nos 26 745 milhões – menos 60% em dois anos.

Outros fatores estão “a atrapalhar e a prejudicar” Angola. A juntar à baixa do preço do crude soma-se o abrandamento da economia chinesa, destino de 48,5% das exportações angolanas, não esquecendo também a “revolução do petróleo de xisto” nos EUA, mercado que, em 2007, recebeu 24% de exportações de Angola e que agora se fica pelos 3,5 por cento.  

Chegados aqui, a situação das empresas e trabalhadores portugueses é tudo menos tranquila.

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Os empresários já pensam em mercados alternativos: América Latina, Magrebe e Europa. Quanto aos primeiros, quem opta por ficar reduz atividade à espera de melhores dias, é o caso, do grupo de Leiria Equipamentos Industriais Poço (EIP), que exportava 30% da sua produção para Angola. ”Vamos substituir por outros mercados”, diz Carlos Poço, presidente do grupo, em declarações à Visão. Já os segundos, quando pagos em dólares, os salários esperam três, quatro ou cinco meses de atraso. E se optarem por receberem em Kwanzas, não conseguem trocá-los por dólares. Os bancos dizem aos clientes que não têm divisas. Curiosamente é fácil arranjá-los no mercado paralelo e bem perto das agências bancárias. Os portugueses vivem novamente “o fantasma” de 1975 em contextos diferentes. Quarenta anos depois, a história repete-se. #Direitos