Dias depois dos atentados de sexta-feira em Paris (13), são vários os relatos impressionantes de pessoas que conseguiram escapar ao massacre reivindicado pelo Estado Islâmico que matou pelo menos 129 pessoas, entre as quais 2 portugueses, de 63 e 35 anos. Ao jornal Le Figaro, o casal Benjamin e Celia que assistiam ao concerto da banda Eagle of Death Metal, no Bataclan, confessam que não perceberam de imediato o que se estava a passar, só depois é que viram balas a sair das "kalashnikov". Benjamin descreve o momento dramático "Um corpo caiu sobre mim e deixou escorrer o sangue sobre as minhas pernas. O homem ao meu lado tinha cerca de 50 anos e foi alvejado na cara, na cabeça.

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Bocados de cérebro e carne ficaram nos meus óculos". Com as caras destapadas, Celia adiantou que viu claramente a cara dos terroristas, deviam ter cerca de 20 anos, e falavam “francês sem sotaque”. Recordou ainda que os terroristas acabavam por matar aqueles que “mexiam nos telemóveis". Naquela noite sentiram que “a hora estava a chegar”.

Iván Garcia, de 39 anos, estava com mais dois amigos na sala de espetáculo do Bataclan, naquele que foi o local mais sangrento da passada sexta-feira, com uma centena de mortos. O espanhol conseguiu esconder-se “numa pequena sala do recinto até ser retirado pelas forças especiais, enquanto todos tentavam escapar”, contou ao jornal El Mundo.

Julien Pearce, que se encontrava também no Bataclan, contou à CNN o pânico vivido: “As pessoas berravam, gritavam.

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Ouvimos muitos tiros. “Disse para se deitarem no chão e fingirem-se de mortos”. Enquanto os terroristas recarregavam as armas, o repórter conseguiu correr e fugir. Continua, “vi o corpo de uma mulher que tinha levado dois tiros. Levantei-a e corremos“. Depois levo-a para ao hospital "Não sei se ela sobreviveu.". Foi um banho de sangue”, acrescentou. Julien ficou apenas com ferimentos numa perna.

Michael Dorio, irmão do baterista dos Eagles of Death Metal, disse à CNN que os membros da banda chegaram a ver os atiradores e, apercebendo-se da grave situação fugiram pelos bastidores. Um jornalista da Europe1 disse ao mesmo jornal que os tiros duraram entre 10 a 15 minutos.

Charlotte Brehaut tinha ido jantar ao restaurante “La Belle Equipe”, outro dos locais protagonistas de uma carnificina, contou à CNN. “Estava com um amigo e estávamos sentados junto da janela de onde os tiros vieram, mas não nos atingiram”. “Ouvimos mais tiros e vimos pedaços afiados de vidros da janela atingirem as pessoas que estavam no chão.”.

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“Fui segurar a mão de uma mulher. Quando comecei a perguntar se as pessoas estavam bem, percebi que ela tinha sido ferida fatalmente,  e vi uma poça de sangue do lado dela. Tinha sido atingida no peito”. A britânica estima que os tiros duraram entre dois a três minutos.

Isobel Bowdery de 22 anos, sobrevivente dos ataques do Bataclan, relatou os momentos de terror na sua conta pessoal do Facebook. "Nunca pensas que te vai acontecer a ti. Era só uma sexta-feira à noite num concerto de rock", começou por escrever. "Dezenas de pessoas foram mortas em frente a mim. Uma piscina de sangue encheu o chão. Gritos de homens crescidos que seguravam os corpos mortos das namoradas enchiam o pequeno recinto", descreve. Fingiu estar morta durante uma hora. Tudo acabou com a entrada da polícia.

Os líderes mundiais manifestaram a sua solidariedade. Os principais monumentos de várias cidades pintaram-se de azul, branco e vermelho. Também o Facebook disponibilizou uma ferramenta opcional que permite colocar as cores da bandeira nas suas fotografias. #PorteOuverte, #PrierPourlaFrance e #PrayForParis foram algumas das hashtags mais usadas por utilizadores. #Terrorismo