As autoridades da região de Xinjiang, no noroeste da China, desmantelaram um alegado grupo terrorista que, de acordo com uma notícia de ontem, dia 20, avançada pela publicação Xinjiang Daily, seria responsável pelo ataque de 18 de Setembro a uma mina de carvão, no condado de Baicheng, Aksu. O atentado provocou a morte de 11 civis e 5 polícias, além de ferir outras 18 pessoas. Ao que apurou a agência Lusa, um dos alegados terroristas rendeu-se e outros 28 foram mortos durante uma operação policial que durou 56 dias. Os indivíduos pertenciam à comunidade uigur, minoria étnica muçulmana com forte presença na região. Não foram avançadas conclusões sobre a organização à qual os suspeitos alegadamente pertenciam, mas as autoridades reconhecem que o grupo teria ligações a movimentos extremistas estrangeiros, de acordo com a agência de notícias Xinhua, citada pelo Público.

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A região autónoma de Xinjiang é limitada ao sul pelo Tibete, a sudeste pelas províncias de Qinghai e Gansu, a leste pela Mongólia, Rússia a norte, tendo ainda a oeste vizinhos como o Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Afeganistão e, ainda, a região de Caxemira, disputada pela Índia e Paquistão. É um território conturbado, que vive dominado por tensões entre a maioria han e a minoria muçulmana uigur, entretanto agravadas pelas agressões e a repressão cultural e religiosa levadas a cabo pelo Governo Chinês.

De acordo com o Público, organizações internacionais como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch têm denunciado algumas acções das autoridades na região, como restrições às manifestações públicas islâmicas, proibição de uso de barbas longas pelos homens, véus femininos e camisolas com alusões aos símbolos islâmicos durante o Ramadão. Em contrapartida, a China considera os separatistas de Xinjiang os verdadeiros responsáveis pelos conflitos na região.

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E encara estes mesmos separatistas como uma ameaça terrorista. 

Com os atendados em Paris, mas sobretudo depois do primeiro chinês refém do Estado Islâmico ter sido executado, a China elevou o nível de alerta terrorista. Decidiu intensificar as políticas de segurança – reforçar também o aumento do investimento público na Defesa - e emitiu um projecto anti-#Terrorismo, dentro e fora de fronteiras, em cooperação com a comunidade internacional para a paz mundial. O presidente chinês Xi Jinping, em declaração na Cimeira da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation) em Manila, referiu que a China opõe-se firmemente a todo o tipo de ideologia terrorista e irá combater toda a actividade que desafie a humanidade, lê-se no El País

Ainda na sequência de alegados ataques de separatistas em Xinjiang, a China apelou à inclusão do Movimento Islâmico do Turquestão Oriental (uigur, que pretende obter a independência) na lista de movimentos terroristas que podem representar uma ameaça mundial. 

Recorde-se que, em Maio, 39 pessoas morreram durante um ataque com recurso a arma branca, num mercado em Urumqi, capital da região e, no ano passado, 31 pessoas perderam a vida noutro ataque ocorrido na estação ferroviária de Kunming, no sudoeste da China - ambos atribuídos à etnia uigur.

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Só no ano passado, 712 pessoas terão sido condenadas na China por terrorismo e acção separatista, segundo dados apresentados durante a Assembleia Nacional Popular Chinesa, em Março. #Política Internacional #Violência