A Procuradoria de Paris confirmou nesta quinta-feira, 19 de Novembro, o que muito foi especulado desde a operação policial francesa que aconteceu ontem, quarta-feira, em Saint-Denis, no norte de país. "Abdelhamid Abaaoud acaba de ser formalmente identificado, depois da comparação das impressões papilares (impressões digitais das mãos ou pés), como falecido no decorrer da operação realizada pela Raid (unidade especial da polícia francesa), na rua Corbillon de Saint-Denis", revelou um comunicado oficial.

Tudo aconteceu ontem, nos subúrbios de Paris, depois das investigações conduzirem as autoridades francesas a uma casa no bairro problemático de Saint-Denis.

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O terceiro andar do prédio foi invadido por oficiais armados e, depois de uma violenta troca de tiro e granadas, a detenção de três pessoas e a morte de uma mulher, que se fez explodir, a "batalha" acabou com a descoberta de um cadáver: que se confirma agora ser o alegado mentor do terror que se fez sentir na capital francesa na passada sexta-feira, 13 de Novembro. A violência dos ataques, que provocaram 129 mortos e mais de 300 feridos, chocou o mundo e levou à declaração imediata do estado de emergência e à retaliação profunda das autoridades francesas. Abdelhamid Abaaoud foi identificado como o homem que coordenou os ataques terroristas, sendo que a agência Reuters revelou que Abaaoud planeava um novo ataque à La Defense (centro financeiro de Paris) na altura em que foi morto.

Nascido em 1987, em Molenbeeck, nos subúrbios de Bruxelas, Abu Omar Susi ou Abu Omar "al Baljiki" (que significa Abu Omar "o belga") é originário da classe média e frequentou um excelente colégio de Uccle, no sul de Bruxelas, segundo revela o jornal flamengo "De Morgen".

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"Tínhamos uma vida muito boa, uma vida fantástica. Abdelhamid não era uma criança difícil e tornou-se um bom comerciante. Mas, de repente, foi para a Síria. Nunca recebi qualquer resposta", revelou em Janeiro o seu pai, Omar Abaaoud, ao jornal "Dernière Heure". Depois da sua ida, Abaaoud tornou-se num dos mais famosos dos 500 jovens belgas que deixaram o país para combater no Iraque e na Síria. 

Manuel Valls, o primeiro-ministro de França, já confirmou igualmente esta eliminação: "Abaaoud, o cérebro desses atentados – um dos cérebros dos cérebros, porque sabemos que precisamos de ser prudentes – encontra-se entre os mortos". A mulher que se fez explodir foi identificada como prima do jovem, sendo que a operação policial fez igualmente oito detidos. O proprietário da casa garantiu entretanto que acolheu o grupo a pedido de um amigo, mas que não sabia que eram terroristas.

Segundo declarações por parte do Ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, o belga participou de quatro dos seis ataques frustrados no país desde o início do ano.

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Cazeneuve afirmou também que a actual localização do mentor dos ataques foi fornecida por um país fora da Europa, mas sem revelar qual, e declarou que o seu governo nunca recebeu nenhuma informação sobre o jihadista antes dos acontecimentos de sexta-feira. Abaaoud, que, segundo a CNN, seria muito próximo do líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, era alvo de um mandato de prisão internacional, após ter sido condenado em Julho a 20 anos de prisão, num tribunal belga, por recrutar combatentes para a Síria. Visando a sua detenção, depois dos ataques de Paris, foram realizadas 188 operações de buscas, que resultaram na sua morte, em mais de 20 detenções e na apreensão de muitas armas. #Terrorismo