A ONU estima que, desde 2005, mais de 700 jornalistas foram assassinados. A assinalar o Dia Mundial contra a Impunidade de crimes contra Jornalistas, a alta representante da política externa da União Europeia, Federica Mogherini, citada pelo El País, condenou, esta segunda-feira, os ataques de que os jornalistas são vítimas em todo o mundo e apelou aos Estados para que investiguem e julguem todos os responsáveis.

De acordo com as Nações Unidas, na última década, mais de 700 jornalistas e trabalhadores da área da comunicação foram assassinados no exercício da sua profissão. Para Federica Mogherini, “os meios de comunicação são o espelho das nossas sociedades: se são livres e críticos, nós também o seremos e estaremos a salvo”.

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Nesse sentido defende que “sejam feitos todos os esforços” para evitar os casos de violência, garantindo que após julgamento dos responsáveis perante a justiça, as vítimas ou os seus familiares tenham o direito a ver reparados os danos de forma apropriada.

Os números apresentados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) não incluem dados referentes a ataques não mortais, torturas, desaparecimentos, detenções arbitrárias ou intimidações em cenários de conflicto ou não conflicto.

Mogherini afirma que "na última década, apenas um em cada dez casos de violência contra trabalhadores da área acabou em condenação”. Face a esta realidade, acredita que “a impunidade cria impunidade e alimenta um círculo vicioso”.

Só em 2014, segundo dados da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), morreram 118 jornalistas, sendo que em cada dez assassinatos, apenas um é investigado.

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Em relação a ataques não mortíferos, fontes do FIJ afirmam que a situação é bem pior, tendo em conta que os Governos “fracassam no seu dever de perseguir os responsáveis”. Esta “impunidade” acaba por “pôr em perigo, não só os jornalistas, mas também a democracia e qualquer esperança no caminho da paz”.

A organização não governamental Repórteres sem Fronteiras lançou no Twitter a campanha #FightImpunity, relembrando casos como o de Ajivit Roy, blogger do Bangladeh, assassinado à machadada, de Nazim Babaoglum jornalista desaparecido há 20 anos na Turquia ou o do atentado na redacção do Charlie Hebdo. #Causas #Imprensa