O Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, reuniu-se na capital austríaca, Viena, com Federica Mogherini, a Alta Representante da União Europeia para Política Externa e Segurança e com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Javad Zarif. Os voos com direção a Viena tiveram em vista a finalização das negociações relativas ao acordo nuclear assinado em Julho de 2015, que entraram agora na intitulada "fase de implementação", depois da ratificação exigida pela Organização Intergovenamental, AIEA - Agência Internacional de Energia Atómica.

“O Irão executou todas as medidas exigidas para que a fase da implementação (do acordo nuclear) possa arrancar”, confirmou a AIEA num comunicado divulgado ao início da noite deste sábado.

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“É um dia muito importante para a comunidade internacional”, perspetivou o diretor-geral da organização, Yukiya Amano.

Ao ter em conta as notícias já oficiais, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, levou a cabo a assinatura de uma ordem executiva com vista a revogar todas as sanções aplicadas ao Irão, em jeito de penalização pelo desenvolvimento secreto do seu programa nuclear. Também a União Europeia actuará nesse sentido: a fase de implementação prevê a suspensão de todas as sanções financeiras e económicas, nacionais e multilaterais, aplicadas ao Irão já desde 2006.

“Hoje provamos ao mundo que as ameaças, sanções, intimidação e pressão não resultam. Mas o respeito sim: com respeito, diálogo e negociação, é possível chegar a soluções aceitáveis para todos e implementá-las de mútuo acordo.

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E, com isso, aproximamo-nos de um mundo em que é a diplomacia, e não a força, que prevalece”, palavras do ministro iraniano, Javad Zarif. Com efeito, o governo e os órgãos competentes de Teerão desmentiram veementemente a intenção de constituir um arsenal nuclear, reafirmando ainda que as actividades atómicas iranianas têm destino à produção de energia e à investigação médica.

Como provas de boa-fé, o Irão forneceu garantias de que, tal como fora previsto, procedeu ao desmantelamento do seu reactor de Arak, desactivou centenas de centrifugadoras e remeteu para eliminação no exterior as reservas de plutónio e urânio enriquecido que tinha vindo a armazenar (às quais poderia recorrer para a construção de uma hipotética bomba atómica).

“Será muito importante para a actividade económica no Irão, no sentido em que vai abrir vastas possibilidades em termos de trocas e relações comerciais, que sabemos serem do interesse da comunidade internacional”, considerou Javad Zarif, ao afirmar que é desejo e expectativa de Teerão que os embargos e sanções que foram adjudicados ao país sejam levantados.

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Caso o fim do embargo tenha lugar, o Irão voltará a ter acesso ao sistema financeiro global e a ter a possibilidade e o direito de negociar com empresas estrangeiras, bem como o regresso ao mercado petrolífero.  Além disso, a antiga Pérsia terá ainda a possibilidade de tornar a movimentar os fundos disponíveis em contas congeladas: no imediato, serão mais de 30 mil milhões de um total avaliado em cerca de 100 mil milhões de dólares. #Política Internacional #EUA