A execução de um líder religioso xiita levou à deterioração das relações entre a Arábia Saudita, que é de maioria sunita, e o Irão, de maioria xiita. O Sunismo e o Xiismo são duas correntes do Islão e o sunismo é mais popular entre os muçulmanos pelo mundo fora. Podem ser comparadas ao Protestantismo, à Ortodoxia e ao Catolicismo, que são correntes do Cristianismo. Mas apesar de nesta altura as relações entre os dois países estarem cortadas, nem sempre elas foram assim. A Arábia Saudita cortou as relações com o Irão por causa da reacção do Irão, que prometeu vingança aos Sauditas. Manifestantes na capital do Irão, Teerão, incendiaram a embaixada saudita no país, o que levou à retirada dos diplomatas sauditas no Irão e à represália de Riade (capital da Arábia Saudita), que expulsou o embaixador iraniano do seu território.

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A Arábia Saudita e o Irão são dois dos maiores rivais na zona do Médio Oriente, um é sunita e árabe (Arábia Saudita) e o outro é xiita e persa (Irão). A Arábia Saudita coopera com os Estados Unidos na luta contra o terrorismo na Síria, apesar de o governo saudita ser suspeito de apoiar os terroristas, e o Irão mantem relações difíceis e complicadas com o Ocidente, em especial com os Estados Unidos, lutando ao lado da Rússia e do governo sírio (seus aliados) no combate aos terroristas no país.

Nos últimos anos as relações entre os dois países têm sido tensas, piorando após a intervenção da Arábia Saudita nos protestos de 2011 no Bahrein, prestando apoio ao governo do país que é sunita, apesar de o país ser de maioria xiita, tal como o Irão, que contestou a atuação dos sauditas.

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Ainda em 2011, os Estados Unidos revelaram um complô iraniano para assassinar o embaixador saudita nos Estados Unidos, o Irão desmentiu e o caso avançou para a ONU.

Mas mais anteriormente na história das relações entre os dois países também houve momentos de amizade. Apesar das relações entre os dois países terem sido estabelecidas em 1929, após a assinatura de um tratado, até os anos 60 as relações não estiveram ativas. Mas em 1968 foram reavivadas e os dois países tiveram o seu melhor período de relações entre 1968 e 1979. Nessa altura, ambos os países tentaram influenciar-se para mudar certas coisas: o Irão queria uma modernização da Arábia Saudita e os sauditas preferiam relações de segurança bilateral com os países mais pequenos do Golfo Pérsico. Mas após a revolução iraniana em 1979 as relações voltaram ao mesmo ponto e a tensão aumentou, alimentada pelo novo líder Iraniano. Depois, na década de 1980, o Irão entrou em guerra com o Iraque e a Arábia Saudita apoiou o Iraque durante essa guerra.

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As coisas pioraram ainda mais.

As relações foram piorando ainda mais com confrontos entre iranianos e sauditas. Mas nos anos 90 as relações voltaram a alterar-se; a invasão do Iraque ao Kuwait motivou críticas por parte de Arábia Saudita e do Irão e este conflito aproximou por isso os dois países que tinham atravessado um período tenso entre si. As relações foram melhorando, mas a intervenção Saudita na insurgência xiita, no Iémen, já recentemente, foi fortemente criticada pelo Irão. Desde então as relações entre os dois países nunca mais foram as mesmas, com diversas confusões entre os dois países e mais recentemente a morte do líder xiita Nimr al-Nimr na Arábia Saudita.

A execução de Nimr al-Nimr provocou a ira do Irão e um dos momentos mais tensos no histórico de relações entre os dois países. A Arábia Saudita cortou os laços diplomáticos com o Irão e agora vários países tentam ajudar as duas nações a fazer as pazes. Alguns aliados da Arábia Saudita, como o Bahrein e o Sudão, já também cortaram as relações com o país persa. Esperemos que a tensão entre os dois países não suba mais de tom, pois uma guerra entre ambos seria catastrófica para o Médio Oriente, que já está num ambiente de guerra em vários países. #Religião #Terrorismo #Política Internacional