Radovan Karadzic, fundador da Republika Srpska (grupo político que partilha a Bósnia com a Federação croato-muçulmana), ouviu a sentença lida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) na quinta-feira, 24 de Março, que dá conta do seu envolvimento no massacre de Srebrenica e no cerco de Sarajevo. Estes são considerados alguns dos piores crimes cometidos contra a Humanidade após a Segunda Guerra Mundial. 

Estes episódios causaram a morte a mais de 100 mil pessoas e a deslocação de mais de 2 milhões de pessoas. O principal objectivo de Karadzic era expulsar os muçulmanos e croatas de Srpska.

Karadzic, de 70 anos, estava também acusado por genocídio e 9 crimes de guerra cometidos na Bósnia.

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É, assim, o primeiro indiciado pelo Tribunal Internacional por crimes durante a guerra na antiga Jugoslávia.

O TPI considerou que o dirigente político "ordenou a transferência de bósnios muçulmanos para locais onde fossem mortos" e não para impedir o seu assassínio. O massacre de Srebrenica foi efectuado sob ordens do chefe militar dos sérvios-bósnios, o general Ratko Mladic, em Julho de 1995. Assim, o juíz do TPI Gon Kwon anunciou: "Radovan Karadzic, o tribunal condena-vos a 40 anos de detenção".

Durante a sessão, Karadzic manteve os olhos baixos e permaneceu impassível. Alguns dos familiares das vítimas estiveram presentes no tribunal e, à saída, consideraram que nenhuma sentença seria suficientemente pesada pelos crimes. "Eu perdi as minhas irmãs, os meus irmãos, o meu marido (...) e ele pode viver numa confortável prisão enquanto eu tenho de viver em Srebrenica", disse Hatidza Mahmedovic, uma das familiares das vítimas, em declarações à Agência Reuters.

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Karadzic foi Presidente da República Srpska de Abril de 1992 a Julho de 1996. Esteve em fuga até Julho de 2008, altura em que foi capturado em Belgrado. Foi julgado em Março de 2009, considerando-se "não culpado", e defendeu que tinha feito “tudo o que era humanamente possível para evitar a guerra e reduzir o sofrimento humano”. O seu processo terminou em Outubro de 2014, na sequência de quase 500 dias de audiências e 586 testemunhas ouvidas. #Justiça #Crime #Política Internacional