A política de controlo de importações está a ter forte impacto na sociedade venezuelana. E se os media ainda há pouco noticiavam o corte na importação de produtos higiénicos e medicinais, agora é a vez do trigo para o fabrico de pão. A Venezuela tem como principal fonte de receita a exportação de petróleo, que é 96% do total das exportações, mas com a queda do preço de petróleo a receita que entrava nos cofres do governo presidido por Nicolás Maduro diminuiu drasticamente. Por isso, também as importações tiveram de ser restringidas e entre essas, bens de primeira necessidade, como o trigo, tiveram fortes limitações. Agora, e segundo a AFP, é frequente encontrar o recorrente cartaz "não há pão" nas padarias da Venezuela.

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Recentemente, a Blasting News noticiou a "escura situação" na Venezuela, onde em nome do racionamento de energia os venezuelanos passam parte das suas tardes às escuras quando vão a centros comerciais. Não esquecendo as longas filas que são formadas por vezes às 3 da manhã, para adquirir apenas 1 litro de leite e uma garrafa de óleo, por serem os únicos artigos disponíveis na prateleira. E se o artigo já alertava para que a situação na Venezuela vai de mal a pior, parece que nada se inverteu desde então. No início deste ano, a inflação da Venezuela era de 700%. Por isso se compreende que com um nível de assimetria tão acentuada entre procura e oferta, os consumidores serão muito práticos e escolherão comprar apenas bens essenciais.

As reservas de trigo estão vazias.O racionamento de trigo pelas padarias (1 saco de 50 kg, por padaria) dá para abastecer os venezuelanos com apenas 2 "canillas" (na foto) diárias por pessoa.

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Na padaria de Freddy Vilet, pode encontrar-se salsichas e fiambre, mas não há pão. E Rosa Perez diz que com a pouca farinha que têm fazem "cachitos" (pão recheado com fiambre e queijo) e pizzas, que são vendidas a altos preços, "para compensar a perda de lucros".

Entretanto, já fecharam quase metade dos moinhos de trigo da Venezuela, que ao todo empregam 12.000 pessoas e calcula-se que as reservas de trigo disponíveis para os venezuelanos cheguem apenas para 12 dias. O governo venezuelano anunciou que vai aumentar as importações de trigo em 170.000 toneladas, que chegarão neste mês de Março. Este carregamento chegará para cobrir as necessidades dos venezuelanos durante um mês. O governo da Venezuela também anunciou que vai comprar produtos à indústria de panificação, para que as fábricas não fechem.

Os venezuelanos queixam-se que o pão que é financiado pelo Estado já tem quase o mesmo preço do pão fabricado no sector privado. Mas o grave é que as padarias privadas estão a especular e a aumentar preços e lucros com o racionamento de farinha.

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"É por isso que eles não se queixam", diz um director de uma padaria do Estado, Diego Morillo. Mas o proprietário de uma padaria privada responde que é muito difícil manter 20 empregados com este racionamento: há 2 anos, ele  já só recebia 100 sacos de 50 kg por mês, agora só recebe 30. E a preocupação também está presente na maioria dos empregados, que temem pelos seus postos de trabalho se a importação de trigo anunciada pelo governo não chegar neste mês. #Política Internacional #Alimentação