A aprovação de uma lei que defende as mulheres contra casos de violência doméstica, revoltou a comunidade masculina da província de Punjab, no Paquistão. Uma grande vitória numa província de um país conhecido pelos seus actos de ofensa directa e de violência contra as mulheres. Segundo o movimento criado por um grupo de políticos e religiosos, a lei vai contra o islamismo e aquilo a que é designada como sagrada instituição: a família. Perante este enorme passo da defesa dos #Direitos das mulheres, os homens que exercerem violência contra elas serão considerados criminosos, poderão vir a usar pulseiras electrónicas e ficam ainda proibidos de se aproximarem das suas casas e de comprar armas.

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Este movimento defende com unhas e dentes que a aprovação desta lei, além de ir contra as suas crenças religiosas, tem muitas falhas. Uma dessas falhas é o facto de ir contra a ideia que este povo defende acerca do que se passa dentro de uma casa, deve lá permanecer sem que mais ninguém intervenha. 

A luta pelos direitos das mulheres no Paquistão, e em países que seguem o mesmo conceito no que se refere ao sexo feminino, tem sido longa e difícil. Nestes países as mulheres são consideradas propriedades das famílias até se casarem, depois disso passam a ser propriedade da família do marido. O facto de as mulheres que desafiem as convenções sociais poderem ser punidas brutalmente e a maior parte até à morte, algo que para nós é inconcebível, para aquele povo é o mais natural e sagrado possível.

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As mulheres são punidas através de apedrejamentos, chicotadas, queimaduras com ácido e muitos outros actos brutais.

O mais grave ainda, é que as leis tribais destes povos, protegem os agressores considerando-os ainda heróis. Para eles, trata-se de crimes de honra. Uma mulher que seja acusada de adultério ou de desonra está destinada a ser perseguida e a ser brutalmente maltratada pelos próprios familiares, sobre o pretexto de estarem a defender a honra da família. Estas mulheres quando não são mortas em plena rua, são presas e chegam a esperar anos pelo julgamento. Muitas delas nem sabem porque estão presas e a precariedade é tanta que nem têm acesso a advogados. Num plano melhor, algumas podem ir para abrigos de mulheres, onde cuidam das crianças e trocam tarefas sem fazerem perguntas. A triste realidade é que a palavra de uma mulher de nada vale perante a palavra de um homem, mesmo perante as autoridades.

Como se tudo isso não bastasse, este ódio pelas mulheres, também chamado de misoginia, inclui as crianças de sexo feminino e, ao contrário do que seria de esperar nos tempos que correm, está cada vez mais instituído e é cada vez mais defendido no Paquistão.

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Algo que para nós é perfeitamente normal e até muito bem visto, como ser professora de meninas, nestes países pode ser uma sentença de morte. Existem casos de professoras de escolas de meninas que foram atacadas e apedrejadas pelo simples facto de educarem meninas, o que vai contra as leis tribais que vêm a mulher como um objecto descartável.

A luta pelos direitos das mulheres está muito longe de ser ganha em países como o Paquistão, onde a própria religião e as próprias leis defendidas pelos religiosos de "linha dura" insistem em punir as mulheres. Em 2006 o presidente Pervez Musharraf tentou abrandar as leis para assegurar uma maior protecção das mulheres, mas sem sucesso.  #Política Internacional