"Hoje Bruxelas e o seu aeroporto, e amanhã pode ser Portugal e a Hungria". É esta a mensagem que as autoridades portuguesas estão a analisar, proferida esta semana por um canal de propaganda do Daesh. Embora não se considere, para já, que hajam "razões para alarmismos", a mensagem é "válida" - a sua origem remete para o grupo terrorista que terá orquestrado os atentados em Bruxelas na passada semana.

O Instituto de Pesquisa do Médio Oriente (MEMRI, em inglês), um observatório do Médio Oriente, garante que a mensagem poderá querer mostrar que “não existe qualquer país ou capital da Europa a salvo de um eventual ataque”. Os dois países europeus não voltaram a ser referidos ao longo do vídeo. 

Helena Fazenda, secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, declarou à agência Lusa que após o conhecimento da situação "foram tomadas as medidas de reforço e articulação entre as forças de segurança", incluindo nos aeroportos portugueses.

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Do gabinete de imprensa de Constança Urbano de Sousa (Ministra da Administração Interna) surgiu a informação de que as autoridades portuguesas estão a acompanhar o caso e atentas a próximas referências, directas ou indirectas, a Portugal ou a cidadãos portugueses.

Esta não é a primeira vez que o Daesh faz referências a Portugal: em Fevereiro foi feita uma ameaça directa à "Península Ibérica" e aos "portugueses e espanhóis". As autoridades crêem que o jihadista presente nesse vídeo de propaganda será o lusodescendente Steve Duarte, membro do departamento dos média do Daesh.

Os serviços de informações têm vigiado portugueses e lusodescendentes que estão na Síria e se encontram ligados ao Estado Islâmico. Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna de 2015, tem sido possível "rastrear cidadãos nacionais que se deslocam para os palcos de 'jihad' para se juntarem "ao grupo Estado Islâmico ou à Al-Qaida e detetar células relacionadas com o recrutamento de 'jihadistas'". Também a situação no Norte de África foi rigorosamente monitorizada, devido ao aumento da ameaça que recai sobre os interesses portugueses nessa região do globo. 

Apesar do reforço das medidas de segurança nos aeroportos portugueses, o nível de alerta mantém-se inalterado (nível moderado).

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#Governo #Terrorismo