A crise que Angola está a viver não se cinge apenas à falta de divisas estrangeiras, está já alargada em grande escala à falta de condições de higiene e saúde. Apesar de estar a ser apenas anunciado que o país vive um surto de febre-amarela, também o vírus da malária está a progredir no centro da população. A falência de um país que vive essencialmente da exportação de petróleo afeta já todos os sectores da sociedade e os relatos de quem lá vive expatriado são o retrato de um país à beira do colapso financeiro e social. O número de mortes devido à febre-amarela e paludismo (malária) continua a aumentar e os trabalhadores expatriados começam a temer pela sua saúde..

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Angola vive uma das piores crises sociais e económicas de que há memória. O país está falido, a degradação dos serviços públicos está a ficar acentuada e para culminar enfrenta um surto de febre-amarela. Em conversa com alguns trabalhadores que vivem expatriados em Luanda, conseguimos obter uma visão mais realista da situação. “Há vários anos que trabalho em Angola e nunca vi isto assim. As quebras de eletricidade sempre foram uma constante, mesmo na marginal, mas agora chegamos a estar 24 horas sem que a luz volte. O lixo amontoa-se nas ruas e depois não é de estranhar que apareçam estes surtos infeciosos”, relata-nos um expatriado. Mês após mês somos confrontados com notícias na comunicação social dando conta do número de mortes devido à febre-amarela, que já ronda os 300 casos, mas também a malária está a progredir, tal como nos relata o referido trabalhador, “apesar de se falar só sobre a febre-amarela, a malária também já está a progredir.

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Ainda recentemente faleceu uma colega nossa devido à malária e tivemos outro colega hospitalizado, mas que já recuperou”.

Apesar do governo angolano estar a tomar algumas diligências para tentar controlar esta epidemia, desde dezembro de 2015 que o número de óbitos aumenta sem controlo. A imprensa privada angolana refere que em Luanda são registadas centenas de funerais diariamente e que as morgues estão totalmente lotadas. Os hospitais públicos e centros de saúde registam, segundo fontes governamentais, o triplo da afluência e já não existe capacidade de resposta. Alguns hospitais já só conseguem estar a funcionar devido a donativos de empresários, existem medicamentos esgotados e falta de alimentos para corresponder às necessidades. Mesmo no que diz respeito às clinicas e hospitais privados, começam já a faltar alguns bens, “a nossa sorte é que se tivermos de recorrer a serviços médicos em Angola, somos encaminhados para clinicas privadas, mas mesmo aí não é garantido que tenhamos tudo o que precisamos. A falta de medicamentos já é geral no país, em alguns casos temos de pedir que os medicamentos sejam enviados de Portugal porque não há em lado nenhum”, refere-nos o trabalhador..

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O governo angolano continua sem decretar o estado de emergência, mas apesar do que tentam transparecer para a comunidade internacional a situação é crítica e o país não está a conseguir corresponder às necessidades da população. #Casos Médicos #Tragédia