Ana Oliveira - Os actos terroristas são cegos e qualquer lugar do mundo é um potencial alvo. Deve-se reforçar a vigilância, mas sem por em causa a liberdade e os direitos fundamentais das pessoas, caso contrário são os terroristas quem “ganha”. O medo não pode servir de justificação para tudo.

Daniela Teixeira - Qualquer país pode ser um alvo se pensarmos que basta existir uma ou duas pessoas dispostas a conduzir um atentado terrorista nesse país para ele ser exequível. No entanto, na minha opinião, Portugal não é um alvo provável. Os terroristas preferem canalizar os seus esforços para grandes cidades onde eles sabem que os seus actos terão um impacto mediático muito superior.

Publicidade
Publicidade

A força do #Terrorismo está mais na onda mediática que se gera à volta de um atentado do que no atentado em si. Além disso, a Bélgica tem uma comunidade muçulmana muito grande, nem sempre bem integrada, o que gera alguns problemas sociais que por sua vez levam a outro tipo de problemas… Em Portugal isto não existe. O terrorismo tem um impacto enorme na psique pessoas mas penso que temos de ser racionais. Portugal tem outros problemas de segurança muito mais graves do que um eventual atentado terrorista e que podem ser muito mais facilmente prevenidos. Um exemplo: os acidentes rodoviários. Centenas e centenas de pessoas morrem todos os anos nas estradas portuguesas, num número muito superior a todas as vítimas mortais de atentados terroristas em todos os países da União Europeia juntos… Devemos sempre estar alertas em relação a qualquer tipo de ameaça, mas não podemos entrar numa neurose colectiva.

Publicidade

Marta Oliveira - Sem entrar em alarmismos públicos que não contribuem para a resolução do problema, todos os países devem estar alerta e todas as instituições responsáveis devem unir esforços máximos para prevenir novos focos de terrorismo. Gosto de lembrar que há sempre mais pessoas a construir do que a destruir.

Raquel Duque – Apesar de considerar que Portugal não é um alvo prioritário, creio que pode vir a ser alvo de atentados do Daesh ou de grupos afiliados, ou até de indivíduos radicalizados neste fundamentalismo religioso que decidam agir sozinhos (os lobos solitários) porque não só nenhum país está imune a ataques terroristas como o nosso país reúne condições que o podem tornar atractivo aos terroristas.

Se olharmos para a narrativa do Daesh, por exemplo, visto que é o grupo que tem gerado mais violência na Europa e no Médio Oriente nos últimos anos, aquela centra-se 1) na construção de um califado e na utilização de todos os meios para o atingir, 2) na aplicação da sharia e da leitura restrita do Corão (pretendendo estabelecer esse califado segundo as regras da sociedade onde o Profeta viveu no século VII).

Publicidade

Qualquer país que não cumpra os preceitos do Corão e de outros textos islâmicos relevantes estão na mira dos terroristas para um género de “purificação” através da violência. Portugal consta do mapa do califado pretendidopelo Daesh, pois fizera parte do antigo território do mundo islâmico Al-Andalus, e por isso, pode estar nos planos dos terroristas. Além do mais, Portugal é uma democracia – regime que não é aceitável aos olhos do Daesh porque não é um regime teocrático regido pelo Corão. O nosso país é ainda membro da UE e da NATO, participa (e participou) em missões militares em países com comunidades muçulmanas relevantes (nos Balcãs, Mali, Afeganistão, por exemplo). De sublinhar que, estando no espaço Schengen, Portugal torna-se vulnerável à circulação de indivíduos problemáticos que tenham cidadania de um Estado-membro do espaço Schengen que podem passar despercebidos dos radares das autoridades e existem inclusivamente elementos do Daesh com nacionalidade portuguesa. Não pretendo passar um tom alarmista, apenas considero que para uma boa prevenção e resposta, é importante ter todos estes elementos em conta, sem desvalorizar nenhum deles e actuar em conformidade. Reitero a minha confiança nas forças e serviços de segurança portugueses.

  #Tragédia