Raquel Duque é Doutorada em Ciência Política e Relações Internacionais: Segurança e Defesa, com especialização em Ciência Política e Investigadora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

Para começar, Raquel prefere não usar a palavra “guerra” para falar de acções de luta contra o #Terrorismo uma vez que não podemos ter apenas a ideia de que se trata de um conjunto de intervenções militares com violência física aparente. É um conceito muito mais abrangente. “É necessário englobar também a diplomacia com vista a garantir a cooperação internacional (dado que a ameaça terrorista mais premente é a de grupos que se instalam em diferentes países, como o Daesh, e adquirem um carácter transnacional, razão pela qual a acção individual/nacional tem dificuldades para o deter), a cooperação entre serviços de informações e entre forças policiais e autoridades judiciárias.

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É fundamental enfatizar a necessidade da troca de informações em tempo útil entre os respectivos serviços nacionais porque o cenário a que se assistiu com os atentados de Bruxelas revelou uma deficiente coordenação a este nível com sérios prejuízos para a segurança”, explicou.

Não querendo correr o risco de parecer pessimista, Raquel Duque acredita que o terrorismo, sendo um tipo de violência que se tem conseguido adaptar à evolução dos tempos, “nunca terá fim”. Por isso, “devemos estar preparados para lidar com ela, apostando sobretudo na prevenção, mas também na resposta, no sentido de perseguir os perpetradores e levá-los à justiça e de garantir meios de emergência rápida no auxílio às vítimas e na reparação dos danos materiais resultantes dos ataques”, defendeu a especialista.

O que mudou desde o 11 de Setembro?

A verdade é que o ataque terrorista às torres gémeas do complexo empresarial do World Trade Center, em Nova Iorque, marcou o início de uma nova era.

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Decorridos 15 anos, para Raquel Duque, é possível dizer que, no campo do combate ao terrorismo, o saldo é positivo. “Foi possível aprofundar relações de cooperação entre forças e serviços de segurança que antes de 2001 eram muito cépticas quanto a uma partilha de informações a nível multilateral, seja na esfera europeia (Europol, por exemplo), seja na esfera internacional (Interpol). Claro que as culturas estratégicas dos países não se alteram rapidamente, no entanto, já foi percorrido um importante caminho e que deve ser continuado sem esmorecimento e atento às adaptações da ameaça terrorista”, garantiu.

Evitar que se caia no exagero no campo da segurança

O terrorismo, em todo o seu conceito, continuará a levantar desafios e a exigir constantes adaptações por parte das autoridades. Para as sociedades democráticas, Raquel Duque acredita que o maior desafio reside, sobretudo, “numa abordagem que garanta segurança sem fragilizar os direitos, liberdades e garantias individuais essenciais e indissociáveis a essas mesmas sociedades”.

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Gerar o caos, criar o medo e levar as autoridades políticas a desencadear respostas exageradas são os objectivos dos terroristas, aumentando assim “o desconforto dos seus cidadãos” e criando uma forte “contestação popular”. Assim sendo, na perspectiva da especialista, “os líderes políticos devem estar cientes deste facto para adequar os níveis de resposta à ameaça e ajustá-los de forma continuada”. #Blasting News Portugal #Tragédia