A Blasting News falou com a Associação de Luso Descendentes da Venezuela, sedeada em Caracas, na pessoa de Mario Miguel da Silva, e conheceu mais de perto a visão de uma entidade que contacta diariamente com o desespero e as preocupações da população a viver no país. “Todos os dias muitas pessoas relatam as suas inquietações sobre as ajudas do governo português aos emigrantes, sendo que alguns pedem orientações sobre as formas de obter documentação ou nacionalidade portuguesa. Por outro lado, há quem queira apenas ajudas para medicamentos”, contou o responsável.

As preocupações são, efectivamente, de diferentes naturezas mas a verdade é que são muitos os portugueses que querem sair do país.

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Todavia, perante uma eventual saída de Nicolás Maduro do poder, e tendo em conta que recentemente o presidente venezuelano apelou aos cidadãos para se revoltarem caso a oposição o afaste, qual será o impacto? Mario Miguel da Silva acredita que “o pior que pode acontecer é uma luta de classes, em que os mais pobres irão tentar obter alimentos e outras necessidades àqueles que mais têm e quero pensar que sejam movidos mais pela necessidade do que por qualquer política”.

Na sua opinião, a comunidade internacional não deve ficar apenas a olhar e tem de actuar, falando essencialmente de Portugal. “Portugal tem um sentimento de gratidão para com a Venezuela uma vez que acolhemos muitos portugueses dos anos 50 até ao final dos 70. Penso que Portugal poderia ser um garante do diálogo entre a oposição e o governo, deveria oferecer ajuda alimentar e médica porque ajudando a Venezuela estaria a ajudar 1,4 milhões de portugueses e luso-descendentes que ainda vivem neste país”, defendeu Mario Miguel da Silva.

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Apesar de tudo, o representante da Associação de Luso Descendentes da Venezuela tem esperança no futuro e está confiante que todos irão “trabalhar pela paz, pela esperança e pela procura de uma solução para esta crise”. Deixa, por isso, uma mensagem a toda a população: “àqueles que estão a sair do país por diversas razões, lembrem-se que no futuro o seu país irá precisar do seu contributo e, por isso, sejam embaixadores dos bons costumes e da felicidade que sempre tiveram. Aos que ficam no país, muita força. Deus nunca abandona os seus filhos e vamos seguir em frente”. #Política Internacional #Emigração #Blasting News Portugal