Se, por um lado, Nancy Gomes considera a corrupção, a criminalidade (que anda de mãos dadas com a impunidade), o abuso de poder por parte das autoridades ou a pobreza os principais sinais de alarme e de instabilidade na Venezuela, Andrés Malamud, por outro lado, fala essencialmente da crise humanitária, preocupando-o “o colapso económico que deriva em emergência social e fraqueza política – pessoas a morrerem de fome e doenças e um governo autoritário que depende dos militares para não ser expulso pela mobilização popular”.

A Venezuela é hoje a segunda pátria de mais de meio milhão de portugueses e, como tal, qual o papel que Portugal deverá assumir? Portugal pode ajudar? Para Andrés Malamud, a resposta é clara: “não pode, hoje ninguém pode”, acrescentando: “depois do colapso, EUA, Cuba e as instituições financeiras internacionais poderão ter alguma alavanca”.

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Já Nancy Gomes acredita que tanto Portugal como toda a comunidade internacional não devem ficar impávidos e serenos a olhar para o colapso da Venezuela. E essa ajuda deverá ser feita pressionando o “governo venezuelano de maneira a que seja respeitada a Constituição da República Bolivariana e seja activado o processo que conduzirá ao referendo revogatório”. Para Nancy Gomes, se a voz do povo falar mais alto, “o mandato do sucessor de Chávez poderia acabar já no início do próximo ano”.

“Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe”. Este provérbio de alma tão portuguesa pode muito bem ser um espelho dos próximos tempos na Venezuela. É fundamental que a população, seja venezuelana ou não, não se sinta desamparada e saiba que ninguém está a fazer “vista grossa” às crises de diferentes naturezas vividas no país.

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Para Andrés Malamud, é crucial que se aprenda de uma vez por todas que “o petróleo é mesmo o excremento do diabo” e, por sua vez, “a riqueza vem da criatividade e do trabalho, não da terra”.

Por outro lado, acreditando desde logo que o futuro da Venezuela é incerto, quer Nicolás Maduro seja afastado do poder ou não, Nancy Gomes gostaria de deixar uma mensagem de conforto a todos os venezuelanos mas tem plena certeza de que essa mensagem ainda não pode ser deixada. “Gostava de lhes poder dizer que a comunidade internacional está pronta para os assistir, facilitando o diálogo entre as partes em conflito e, naturalmente, uma transição pacífica para uma Venezuela onde a Democracia, o primado do Direito e as Liberdades Fundamentais estão garantidos. Mas, infelizmente, ainda não posso”, concluiu.

  #Política Internacional #Emigração