“Incerteza”. Para Elio Pestana Duarte esta seria a melhor palavra para descrever a situação vivida actualmente na Venezuela. “Estamos, neste momento, à beira de um barril de pólvora pronto a explodir. Por um lado, temos a oposição a liderar dois terços da Assembleia da República, o que lhe confere poderes muito mais relevantes do que aquele que teve a bancada do governo ‘chavista’ durante os 17 anos de ‘involuçao’. Mas esta assembleia é constantemente impedida de fazer o seu trabalho de forma a garantir o que está na Constituição”, descreveu.

Por outro lado, no campo económico, para Elio Pestana o cenário é igualmente catastrófico, sendo que o pior de tudo é mesmo o nível de inflação.

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“O combustível desta inflação são os controlos monetários e de preços, o cerco na entrega das divisas necessárias para a importação, a destruição do quadro industrial e agrícola por causa das expropriações baseadas em motivos políticos que obrigam os cidadãos a recorrer aos mercados negros (…)”, explicou.

Efectivamente esta é uma situação que se tem agravado nos últimos dois anos, com a morte de Hugo Chávez. “Se ao desaparecimento do ‘líder supremo da revolução’ e ao seu lento funeral que já dura estes dois anos juntarmos o descalabro do preço do petróleo e um novo presidente sem carisma e sem nada a oferecer ao país (…), estamos perante uma das piores situações de miséria eminente”, defendeu Elio Pestana.

Desta forma, um eventual afastamento de Nicolás Maduro do poder pela via dos militares, teria um fortíssimo impacto, de um modo muito particular para Portugal, tal como explicou Elio Pestana.

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“Poderíamos estar perante uma guerra civil. Estaríamos a falar de 600 mil pessoas que também são portuguesas e que podem vir a ter de ser repatriadas. Além disso, estamos ainda a falar de milhares de pessoas que gostam da comunidade portuguesa e que estariam dispostas a vir para cá, mesmo sem ter condições para tal”, afirmou. Assim, de Portugal, Elio Pestana gostaria que fossem promovidas medidas de ajuda humanitária e sanções económicas, no caso do Governo Venezuelano não aceitar as ajudas. “Chegou o momento de ajudar quem durante anos nos ajudou a crescer”, assegurou o nosso entrevistado.

Todavia, este cenário será sempre hipotético. Tudo dependerá sempre da postura dos militares. Elio Pestana acredita que a normalidade seria eventualmente garantida se os militares cumprirem com as normas estabelecidas na Constituição. Até lá, Elio Pestana deixa uma mensagem a todos os venezuelanos, recorrendo ao lema do líder da oposição, Leopoldo López: “fuerza y fe. El que se cansa pierde”. (“Força e Fé. Aquele que se cansa, perde”).

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