#António Guterres, antigo primeiro-ministro de Portugal entre 1995 e 2001, tomou posse esta segunda-feira (12 de Dezembro) como secretário-geral da Organização das #Nações Unidas (ONU). O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa, estiveram ambos presentes na cerimónia que ocorreu na sede da Organização, em Nova Iorque. Guterres foi eleito para um mandato de 5 anos, que terminará em 2021, sendo o 9.º secretário-geral a desempenhar funções desde que a ONU foi criada, em 1945.

Um mundo paradoxal e em conflito

No seu discurso de tomada de posse, Guterres lembrou a necessidade da paz e mostrou-se consciente do pessimismo em que o mundo parece ter caído, depois das grandes esperanças de paz e crescimento económico que se seguiram ao final da Guerra Fria. O novo secretário-geral falou também do paradoxo que constitui o facto das sociedades se encontrarem "mais fragmentadas", apesar da globalização e dos progressos nas tecnologias de comunicação (nomeadamente da internet) - e apesar de os níveis de pobreza extrema terem, efectivamente, caído em grande parte do planeta.

Enriquecido com a sua experiência à frente do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Guterres lembrou que muitas decisões a nível mundial têm vindo a ser tomadas com base no medo. Todavia, Guterres estará ciente, mais do que ninguém, que a Organização das Nações Unidas é aquilo que os seus Estados-membros quiserem que ela seja.

Mas, antes de mais, será necessário que o novo secretário-geral intervenha internamente sobre a própria organização. António Guterres está plenamente consciente deste facto, ao mencionar, no seu discurso de tomada de posse, e de acordo com o Jornal de Notícias, que "a agilização da gestão interna" será uma das suas três prioridades, a par do desenvolvimento sustentável e do trabalho pela paz.

Guterres mencionou dois exemplos: o escândalo de abuso sexual por parte das tropas de manutenção da paz estacionadas na República Centro-Africana, que a Organização não foi capaz de fiscalizar nem impedir; e a extrema morosidade do seu funcionamento, dando como exemplo o prazo de 9 meses necessário "para destacar um quadro para o terreno".

Um grande dia para Portugal

Curiosamente, e por coincidência, a consagração de Guterres ocorreu no mesmo dia em que Cristiano Ronaldo foi anunciado como o vencedor da Bola de Ouro 2016, o prestigiado prémio que é atribuído anualmente ao melhor futebolista do mundo, com as duas personalidades a colocarem Portugal nos destaques dos média internacionais.