Mariano Brás, jornalista angolano proprietário de um semanário, terá sido constituído arguido num caso de injúria ao Procurador-Geral da Republica de Angola, o general João Maria de Sousa. O jornalista foi constituído arguido por ter publicado um texto do website Maka #Angola, que afirmava o envolvimento do PGR em negócio de #corrupção. O texto presente no website Maka Angola é da autoria do também jornalista Rafael Marques.

O Maka Angola acusa o PGR de corrupção num negócio de concessão de um terreno de três hectares, destinado à construção de um condomínio presidencial. O jornalista Rafael Marques, também ele arguido no mesmo processo crime, foi interrogado no dia 27 de dezembro pelo departamento de crimes seletivos, do Serviço de Investigação Criminal (SIC).

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Marques garante que o texto em causa está devidamente fundamentado com base em documentos em sua posse, e afirma ter enviado um questionário ao PGR 16 dias antes da publicação do texto, não tendo obtido qualquer resposta.

Mariano Brás, também ele interrogado pelos Serviços de Investigação criminal no dia 28 de dezembro durante cerca de três horas, afirma não entender como é possível ter sido constituído arguido por ter publicado um texto, acusa este processo de ser mais um acto de perseguição contra jornalistas angolanos, e garante que não irá deixar fazer um bom jornalismo devido à perseguição que sofre. Brás relatou a insistência dos investigadores em saber quem patrocina o semanário do qual é proprietário.

É de referir que a Assembleia Nacional angolana aprovou a 18 de novembro um pacote de leis sobre a comunicação social, fortemente criticado pela Human Rights Watch, que afirma que estas leis ameaçam a liberdade de imprensa e violam as obrigações internacionais de de Angola a respeito da liberdade imprensa.

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Segundo Iain Levine, da Human Rights Watch, este novo pacote legislativo para a comunicação social irá restringir o funcionamento de uma imprensa livre e aponta como exemplo o artigo 29 da Lei de Imprensa, que autoriza o Ministério da Comunicação Social a monitorar o cumprimento de recomendações editoriais, podendo aplicar multas ou suspender os média em caso de violação. #HumanRights