A coligação de forças liderada pela Arábia Saudita no Iémen, numa tentativa de combater o antigo presidente e aliado Ali Abdullah Saleh, foi responsável por pelo menos 4125 mortos, de acordo com o relatório anual da HRW (Human Rights Watch). A organização americana relata diversos aspetos que têm marcado este pouco mencionado conflito, nomeadamente ataques aéreos que violam direito internacional e bombas de fragmentação - prática de guerra atualmente banida pela comunidade internacional -, bem como a falta de ajuda humanitária causada pelo bloqueio naval por parte da coligação e a não interferência de aliados de Arábia Saudita, nomeadamente os #EUA e o Reino Unido, que continuam a providenciar armamento e recursos de inteligência a essa mesma coligação..

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"Até Outubro de 2016, pelo menos 4125 civis foram mortos e 7207 ficaram feridos desde o início da campanha, a maioria devido a ataques aéreos da coligação, de acordo com o United Nations Office of the High Commissioner for Human Rights (OHCHR)", diz o relatório.

A HRW refere o aparentemente deliberado bombardeamento de infraestruturas civis, mormente hospitais, escolas, mercados, mesquitas, entre outros, ataques esses que podem mesmo ser considerados crimes de guerra. Entre estes, incluem-se o bombardeamento de um mercado no norte de Iémen a 15 de março, que fez 97 mortos - 25 eram crianças - e de um funeral na cidade de Sana'a, que fez outros 100 mortos.

O relatório também reporta o uso de bombas de fragmentação por parte da coligação, bem como a utilização de minas terrestres e "ataques discriminados" em áreas bastante populosas atribuídos aos rebeldes Houthi - os responsáveis pelo golpe militar e consequente destituição de Ali Abdullah Saleh do poder -, que também foram visados no relatório por recrutarem "crianças-soldado" e capturarem e torturarem ativistas e oponentes políticos..

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O bloqueio naval está também a ser um obstáculo ao envio de ajuda humanitária, uma necessidade para 80% da população de Iémen - 20 milhões de pessoas. Para além disso, o OHCHR reporta que mais de 600 instituições de saúde foram abandonadas devido aos danos causados pelo conflito, registando-se falta de suplementos cruciais e falta de profissionais de saúde.

Discriminação também é um foco de atenção, sendo que o relatório menciona a desigualdade de #Direitos das mulheres no que diz respeito ao casamento, divórcio, herança e custódia partilhada. Ademais, relações entre pessoas do mesmo sexo são punidas com sentenças que vão de 100 chicotadas a morte por apedrejamento.

A HRW faz também alusão à falta de investigação de todas as partes a potenciais violações de leis de guerra, incluindo dos EUA, aliado importante da Arábia Saudita e uma das principais fontes de armamento desse país, sendo que a administração de Barack Obama foi responsável pela venda de mais de 115 biliões de dólares em armas ao país do Golfo. #Política Internacional