Menos de um mês depois do discurso feminista de Emma Watson a propósito do lançamento da campanha HeForShe, a temática da imagem da mulher na sociedade actual continua em voga.

As mais recentes alusões a personalidades no feminino nos meios de comunicação social referem-se directamente ao aspecto visual, à excepção do Prémio Nobel da Paz atribuído a Malala Yousafzai.

Por exemplo, esta semana Penélope Cruz foi eleita a mulher mais sexy à face da terra pela revista masculina Esquire. As notícias fazem questão de salientar que a honra foi atribuída numa altura em que a atriz espanhola já completou 40 primaveras.

Por outro lado, Jessica Athayde foi destacada na imprensa nacional por ter desfilado no evento ModaLisboa em biquíni.

Publicidade
Publicidade

Se inicialmente foi de elogios que se fizeram os comentários, o caso mudou de figura. A actriz recebeu também críticas ao seu corpo a propósito de uma "fotografia menos feliz", como a própria explicou no seu blogue.

Mulheres contra mulheres

Jessica Athayde fez questão de mencionar no seu blogue que os comentários menos agradáveis que recebeu "foram feitos na maioria por mulheres".

"Mulheres, vou repetir. Mulheres que são filhas, mulheres que são mães, mulheres que ainda não perceberam que cada vez que cedem à tentação de atacar outra mulher com base nas suas características físicas, estão a enfraquecer a condição feminina, em vez de lhe dar força.", escreveu a actriz portuguesa.

Jessica Athayde não ficou por aqui: "Estão a cultivar as inseguranças, as desordens alimentares, a escravidão da imagem", alertou ainda.

Publicidade

Além do corpo

Se "cada mulher é um mundo muito para além do corpo que a recebe", como escreveu a atriz portuguesa, o que se nota na imprensa é que são raras as ocasiões em que as mulheres são protagonistas de notícias em que não é a sua imagem a principal linha de pensamento.

Mesmo nos casos em que é a inteligência ou o sucesso que mais se destacam, a imagem é sempre uma sombra que acompanha a personalidade.

Por exemplo, quem não ouviu falar de Elizabeth Holmes, a empresária de 30 anos de idade com uma fortuna pessoal que ascende a 3,5 mil milhões de euros, o que a coloca no ranking das 400 pessoas mais ricas dos Estados Unidos da América? No título de um conhecido site de notícias português, o que veio a seguir ao nome (no título, saliente-se) foram duas características que estão além do seu empreendedorismo: o facto de ser loira e o facto de estar solteira.

Além da imagem, a constante polémica em torno de questões menores continua a enterrar quaisquer factos que façam de uma mulher digna de ser protagonista de uma notícia.

Publicidade

Podia agora falar de como o facto de Amal Alamuddin poder ter adoptado o apelido do recente marido George Clooney está a gerar controvérsia, como se o trabalho da advogada não tivesse um maior impacto no mundo do que o nome que a acompanha. Podia até falar de como as revistas com maior tiragem em Portugal são publicações que cultivam a tal "escravidão da imagem".

Mas valerá a pena, numa sociedade que continua a acreditar que todas as imagens valem mais do que mil palavras e em que os actos ficam esquecidos enquanto os olhos estão ocupados? #Moda #Famosos