Milan Kundera está de volta com um novo romance. O autor de A Insustentável Leveza do Ser, actualmente com 85 anos, não publicava um romance desde "A Ignorância", em 2000. Em "A Festa da Insignificância", o escritor francês - nascido na antiga Checoslováquia - desenvolve temas anteriores da sua obra, nomeadamente a ideia de escrever sobre o não-sério. A D. Quixote, que vai publicar o livro em Portugal, analisa o livro como um resumo do conjunto da obra de Kundera, um livro que não é apenas não-sério, é cómico - ao retratar o nosso tempo, no qual, do ponto de vista do famoso autor, se perdeu todo o sentido de humor. O novo romance junta-se assim a um vasto portfólio que compreende não só a sua obra mais famosa, mas também grandes títulos como "O Livro do Riso e do Esquecimento", "O Livro dos Amores Risíveis" ou "A Vida Não é Aqui".

Publicidade
Publicidade

Milan Kundera aderiu ao Partido Comunista da Checoslováquia em 1948 e abandonou-o dois anos depois. A luta anti-comunista foi um dos temas centrais da sua obra, não tanto no sentido político mas no sentido cultural e mental. Kundera sentiu que a experiência do socialismo democrático era já a implementação prática de um cenário de ditadura política e psicológica, de fechamento mental, semelhante ao do Big Brother. Kundera exilou-se em França em 1975 e desde 1989 - já cidadão francês - passou a escrever as suas obras no idioma de Molière, com "A Lentidão". Com a queda do comunismo e da Cortina de Ferro e o fim da Guerra Fria, Kundera não sentiu vontade de voltar à sua pátria, tendo permanecido em França e continuado a escrever em francês. O facto de não ter sentido o apelo de voltar ao seu país e à sua vida anterior, quando se esperaria um regresso em glória de um exílio, foi um dos temas centrais da sua obra "A Ignorância" - onde explorou o mito do Grande Regresso, que existe na civilização ocidental desde a história de Ulisses e da Grécia Clássica. Ao contrário do herói e do que habitualmente se considera em função desde mito, Kundera já se sentia demasiado desligado da sua origem e integrado na vida que havia construído em França para ter vontade de voltar.

Ppara os seus leitores (e em especial aqueles que o descobriram em A Insustentável Leveza do Ser), "A Festa da Insignificância" é um regresso a casa por parte de Kundera - onde ele continua a explorar a necessidade de existir sentido de humor e o risco de caminharmos para uma sociedade onde - tal como sucedia na Checoslováquia socialista dos primeiros tempos da sua idade adulta - não exista sentido de humor ou de auto-crítica; um tema que o aproxima de Orwell e do Big Brother que vigia os mais pequenos comportamentos. O livro chega às bancas neste Outono. #Entretenimento #Livros