O Centro de Budismo Moderno e Templo para a Paz Mundial em Sintra parece estar ainda no segredo dos deuses. Fica na Várzea, uma área rural entre a zona mais agitada do concelho e as estradas que vão dar ao mar e ocupa um espaço que já se tornou num refúgio de bem-estar.

Ao entrar na cafetaria ao lado do Templo somos acolhidos por sorrisos sinceros e serenos em trajes de laranja e vermelho, pelo aroma a incenso oriental e pelo som de uma máquina de café.

Algo de indecifrável no ambiente fez com que me sentisse como uma saqueta de chá a ser infundida por um derrame de água quente e ao atravessar a porta só eu entrei.

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Corpo, mente e espírito.

A filosofia deste lugar é "todos são bem-vindos" e não houve dúvidas de que o lema é levado à letra.

Budismo moderno

Aos domingos às cinco da tarde o Templo oferece uma hora gratuita de ensinamentos para adultos e crianças pelo professor residente, Gen Kelsang Togden, um monge discípulo próximo do Venerável Geshe Kelsang Gyatso (Geshe-la).

À porta do Templo todos se descalçam.

No interior, uma panóplia de estátuas em dourado recebe os visitantes e quase que os convida a sentarem-se.

Os ensinamentos começam com uma música suave e uma breve meditação durante a qual o professor dá as instruções que promovem a paz interior e a abertura do espírito aos comentários que se seguem. Trata-se de uma espécie de missa, na qual Gen Kelsang Togden comenta notícias actuais e ensina os aprendizes a observar a realidade sob a visão do Budismo.

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Neste dia, o professor comentou três notícias, incluindo uma sobre o vírus ébola. Falou sobre equanimidade, sobre o preconceito e sobre a necessidade de mudarmos o mundo, mas começando por nós próprios. No fundo, é tudo uma questão de percepção.

O que retirei dos ensinamentos foi que o caminho para a nossa paz de espírito é tão simples quanto os dois conceitos básicos do Budismo: compaixão e sabedoria.

O que aprendi com a meditação

Nunca o tinha feito, apesar de já ter lido sobre os seus inúmeros benefícios físicos e espirituais. Após cinco minutos de meditação, conduzida pelo professor, aprendi que meditar é simplesmente respirar melhor.

Segundo o professor, é uma forma de aproveitar um acto intrínseco ao facto de estarmos vivos para nos livrarmos das energias negativas e para nos sentirmos melhor.

Durante a sessão começámos por descontrair os músculos e tornar o corpo sereno.

Após uma série de instruções, fomos levados a imaginar que a nossa expiração libertava um fumo negro, simbólico de todos os problemas com os quais entrámos no Templo, e que a nossa inspiração era materializada por um fumo branco e brilhante.

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Poderá ter sido apenas o efeito de abrandar o ritmo do quotidiano e de e oxigenar o cérebro com um fôlego renovado simplesmente por inspirar e expirar sem pressas, ou poderá ter sido meramente psicológico, mas a verdade é que aquela foi uma das horas mais produtivas que alguma vez tive.

E as únicas coisas que tive de fazer foram respirar e ouvir.