O filme realizado por Christopher Nolan, que chegou há pouco tempo às salas de cinema portuguesas, mostra as possíveis condições de vida num futuro não tão distante. Em Interstellar, os humanos vêem-se obrigados a lidar com um planeta Terra onde plantações são arrasadas por doenças e há pouca abundância de ar respirável. No filme, o futuro parece tão incerto que um grupo de pessoas decide explorar a esperança que existe fora da galáxia. Se este cenário parece demasiado apocalíptico, já há alguns sinais preocupantes que não diferem muito da ficção mostrada na película.

Em Portugal e no mundo, a qualidade do ar causa mortes prematuras

Se já viu na televisão imagens de cidades asiáticas permanentemente envoltas num nevoeiro de poluição e se sentiu privilegiado por viver em Portugal, saiba que segundo um comunicado da Quercus, "só em 2011 estima-se que tenham ocorrido em Portugal 5 707 mortes prematuras relacionadas com níveis elevados de PM2.5, enquanto 330 mortes ocorreram devido a níveis elevados de O3".

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PM e O3 referem-se a "partículas inaláveis" e a organização avisa que há cada vez mais destas no ar que respiramos no país. Na Europa, 446 409 foi o número de mortes relacionadas com a abundância destes agentes poluidores em 2011. Já a Organização Mundial de Saúde informou num relatório publicado este ano que a poluição atmosférica causou a morte a sete milhões de pessoas globalmente em 2012 e que a falta de medidas que melhorem a qualidade do ar pode levar a um agravamento do número de mortes.

Recorde-se ainda do recente surto de legionella, bactéria transmitida por via aérea, que infectou mais de 300 pessoas no país.

Quebra da produção alimentar

Provavelmente deve ter reparado que o preço e a qualidade da castanha deixou muito a desejar este ano. A culpa é da intensa procura deste produto que nos últimos anos tem estado à mercê de temperaturas pouco propícias ao seu desenvolvimento e também de doenças.

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O Instituto Nacional de Estatística estima que a produção de castanha no país chegou este ano a mínimos históricos dos últimos 20 anos, com uma produção de 16 mil toneladas. Na Europa, a produção desceu de 400 mil toneladas para 200 mil em meio século.

Os meios de comunicação não têm ficado indiferentes à notícia de que a produção de cacau está a níveis preocupantes. À semelhança do que aconteceu com a castanha, foram o clima e as doenças os principais responsáveis pelo défice de dois milhões de toneladas na produção que se verificou em 2013. E segundo os especialistas, o futuro não é muito risonho.

Também poderá estar em maus lençóis a produção de cogumelos silvestres. Tudo devido ao aquecimento global que, segundo os cientistas tem tendência para aumentar 15 graus Celsius até 2050. Segundo o especialista em fungos Luís Morgado, que está a estudar cogumelos no Alasca, não é só o declínio deste tipo de fungo que poderá ser problemático para os amantes da iguaria. É que os cogumelos silvestres são "cruciais para as plantas e têm um papel fundamental no ciclo do azoto", afirmou o especialista citado pelo Sol.

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Se os cogumelos silvestres sofrerem, sofre também a flora, o que poderá afectar todo um ecossistema.

Recorde-se que em Interstellar, apenas a cultura do milho sobreviveu às intempéries. Por agora, poderá parecer que não chegaremos tão cedo a esse cenário, mas a verdade é que o impacto da humanidade no planeta já está a dar sinais de que poderá influenciar o futuro dessa mesma humanidade.

O que pensa o leitor? #Ambiente