Hoje em dia as montras são decoradas de acordo com tradições autóctones e não só. Um a seguir ao outro, os costumes são exibidos sob a forma de produtos para aliciar os transeuntes a exercer o seu poder de compra e sem esperar muito. Logo a seguir ao Halloween ou Dia das Bruxas, adoptado de países anglo-saxónicos, vestem-se as montras de Natal, mas pelo meio há ainda a Black Friday ou Sexta-feira Negra, tradição esta adoptada do outro lado do Atlântico, onde depois do Dia de Acção de Graças, ou Thanksgiving, os cidadãos transformam-se em consumidores desenfreados. Sabe-se que depois vem o Ano Novo e mal Janeiro amanhece, os estabelecimentos comerciais preparam os corações e os ursinhos porque não tarda vem aí o Dia dos Namorados.

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Embora as tradições tenham sempre estado alicerçadas no consumo, a globalização veio reforçar a tendência e qualquer costume é adoptado sem pretexto aparente senão o de levar as pessoas a comprar. No Chiado, em Lisboa, a Black Friday misturou-se com o Natal, como já tem sido hábito. Em todo o país, algumas lojas estenderam as promoções a todo o fim-de-semana. Black Friday é até usada para designar promoções noutras alturas, como faz o El Corte Inglés, a seguir ao Natal.

Mas este ano, nos Estados Unidos, a sexta-feira dedicada às compras foi ligeiramente diferente. Além das populosas filas, grupos de cidadãos aproveitaram o facto de tanta gente sair à rua para chamar a atenção para causas mais sociais. Em Ferguson, a manifestação serviu para dar voz às críticas pela não condenação do agente policial Darren Wilson, que há pouco tempo matou o jovem Michael Brown.

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Em vários estabelecimentos da Walmart, funcionários da empresa fizeram greve pelo aumento do salário mínimo para 15 dólares por hora. Se esta nova tradição de protestar por causas em dias de movimento se propaga, será provavelmente uma das únicas que não está relacionada com o consumo de alguma coisa. A única acção que poderá ser equiparada foi ao do Banco Alimentar, que por cá alocou voluntários às portas dos supermercados para recolher donativos.

Por outro lado, um dos locais onde a Black Friday tem mais expressão é a internet. A Amazon britânica, por exemplo, conseguiu esta sexta-feira cinco milhões e meio de novas encomendas no seu site. Mas em Portugal, as compras online não são ainda um costume. Segundo a Marktest, são 33.9% os portugueses que já adquiriram produtos e serviços através da internet segundo uma pesquisa feita em 2013. Há vários outros estudos que demonstram números maiores ou menores, mas em nenhum deles as compras online atingem a maioria dos inquiridos.

*Cinco formas de usar as promoções a seu favor

1.

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Estabeleça um orçamento ou pelo menos um limite que não deverá ultrapassar. É importante que não se deixe aliciar apenas pelos descontos, por isso:

2. Verifique se precisa mesmo do que está prestes a comprar. Por exemplo, faça uma lista de três ou mais critérios que justifiquem a compra para perceber se se trata de uma questão de necessidade ou capricho;

3. Invista em produtos que lhe tragam benefícios a longo prazo. Por exemplo, se tiver um orçamento extra, substitua aparelhos que tenha por outros de baixo consumo;

4. Compare preços. Existem aplicações e sites onde é possível perceber se as promoções valem mesmo a pena ou se não passam de campanhas enganosas;

5. Lembre-se de que promoções há muitas. Aliás, todos os anos há várias épocas de promoções que pode aproveitar se este não é um momento oportuno para alargar os cordões à bolsa. #Negócios