Restaurantes de todo o mundo usam insectos como ingrediente, incluindo alguns galardoados com estrelas Michelin. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) estima que os insectos fazem parte das refeições de dois mil milhões de pessoas globalmente, maioritariamente na Ásia, na América Latina e em África. Agora o clube de vinhos Laithwaites, no Reino Unido, vem lançar o primeiro guia para saber harmonizar vinho com os insectos comestíveis mais populares. A empresa britânica baseou a obra nas escolhas dos consumidores e elegeu dez vinhos da sua lista de 1500 que combinam bem com alguns dos 1900 insectos mais consumidos.

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Gafanhotos no churrasco combinam com vinho rosé e xerez é o vinho de eleição para acompanhar baratas, por exemplo.

Diz ainda este guia inédito que o escorpião asiático, com o seu sabor forte e amargoso, combina bem com um molho de chili e um vinho adocicado, encorpado e frutado; que larvas combinam com vinhos ricos pelo seu sabor a frutos secos e a sua textura crocante; e que o sabor ácido das formigas deve ser harmonizado com vinho floral e frutado. Ao Daily Mail, uma das vendedoras do Laithwaite contou: "Quando percebemos que alguns dos adjectivos usados para descrever o vinho - terroso, vegetal, floral - também podem ser usados para descrever os habitats dos insectos, não é surpresa que os vinhos possam complementar os sabores distintivos dos insectos.", explicou Beth Willard.

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Insectos podem ser resposta à fome mundial

Baixos em gordura e ricos em proteínas, os insectos podem muito bem ser uma forma de responder às necessidades nutricionais da população mundial. Foi a própria Organização das Nações Unidas (ONU) que o constatou num relatório de 200 páginas publicado em Maio de 2013. Além de os insectos não produzirem as quantidades de gases com efeito de estufa que a indústria pecuária emite, os pequenos seres terrestres podem ser uma forma de gerar postos de trabalho e alimentar a população em países subdesenvolvidos. Por comparação ao gado, são uma forma mais produtiva de gerar alimento: em média os insectos consomem dois quilos de alimento para gerar um quilo de "carne" enquanto que o gado consome oito quilos de alimento para gerar um quilo de carne.

Além de serem mais ecológicos, são também mais saudáveis. Os cientistas da ONU fizeram as contas e chegaram à conclusão que uma grama de formigas vermelhas ou de gafanhotos têm a mesma porção de proteína, mas menos gordura que a mesma quantidade de carne magra.

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Além disso, os insectos fornecem minerais como ferro, magnésio, zinco e fósforo, entre outros, assim como fibras.

Ainda não está convencido? Clientes de restaurantes conceituados já estão. Por exemplo, em Londres, Inglaterra, o restaurante Archipelago serve gafanhotos cobertos de chocolate. Em Copenhaga, na Dinamarca, o Noma, em várias listagens considerado o melhor restaurante do mundo, oferece no menu bife tártaro com formigas. Em Paris, França, o Aphrodite acompanha um paté com grilos. Em Portugal, escolas de hotelaria como a de Peniche já perceberam o potencial destas iguarias da Mãe Natureza e ensinam os futuros chefs a cozinhar com larvas e gafanhotos. #Culinária #Curiosidades