Foi há mais de 100 anos que o livro vermelho foi criado, para ajudar viajantes a escolher restaurantes convidativos e de qualidade gastronómica superior. Em Portugal, há neste momento o maior número de sempre de estrelas, símbolo que qualifica um estabelecimento como digno de visita, no Guia Michelin. Ao todo são 11 os espaços portugueses que contam com uma estrela e três com duas estrelas cada um. Apesar de a premiação ser uma honra para a maior parte dos responsáveis pela cozinha dos restaurantes, nem sempre é bem assim.

Esta semana, o El País noticiou que o chef espanhol Julio Biosca renunciou à sua estrela, que galardoou a Casa Julio.

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O seu restaurante, situado junto a Valência, era uma relíquia da família, mas a atribuição do galardão em 2010 mudou por completo a rotina do espaço e trouxe-lhe demasiada "loucura" portas adentro. Por isso mesmo, o responsável do restaurante solicitou que o espaço fosse retirado do guia no próximo ano, uma decisão que já tinha tomado em 2013 mas que não chegou a quem de direito.

A pressão causada pela estrela fez outras "vítimas". Fredrick Dhooghe, por exemplo, renunciou à sua em Março passado. Segundo o El País, o responsável do restaurante belga 't Huis van Lede explicou que a sua decisão teve por base o facto de na sua cozinha os produtos serem preparados "de acordo com a forma clássica", com base nos seus "valores e tradições gourmet". "Percebemos que isso não é sempre compreendido por um grupo de clientes que espera um espetáculo de estrelas e pontos de cozinha!", escreveu o cozinheiro na sua página de Facebook.

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Um dos casos que demonstra que para receber a premiação da Michelin é preciso não se ser fraco de espírito é o de Bernard Loiseau, um dos 25 cozinheiros franceses a quem tinham sido atribuídas três estrelas. O chef do restaurante La Côte d'Or, por si próprio criado e não herdado como muitas vezes fazia notar em entrevistas, suicidou-se em 2003 depois de ter ouvido rumores de que lhe iria ser retirada uma das estrelas. A sua última, atribuída em 1991, tinha aumentado o seu volume de negócios em 60%.

Há ainda casos como o do francês Alain Senderens que, após 28 anos, cedeu à pressão das suas três estrelas e as devolveu para se focar numa gastronomia mais modesta e calma; o do também francês Joël Robuchon, que disse à imprensa que temia ter um "enfarte" causado pelo stress das suas três estrelas; e o do italiano Ferran Adrià, que preferiu encerrar o seu restaurante e perder as suas três estrelas do que continuar ao ritmo a que estava.

"Não é o guia que pressiona os chefs. O facto de se tornarem conhecidos mundialmente é que cria essa pressão, com o aumento do nível de exigência da clientela.

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É difícil se manter no topo do ranking permanentemente", explicou ao jornal brasileiro Época Negócios, Jean-Luc Naret, director do Guia Michelin.

Sim, o galardão é fonte de stress e de padrões demasiado altos para alguns, mas há também histórias de sucesso, como a do português José Avillez, o primeiro em Portugal a conseguir duas estrelas, ou a do francês Alain Ducasse, cuja cadeia de restaurantes acumula no repertório um total de 19 estrelas. #Famosos #Culinária #Curiosidades