Se é utilizador frequente de redes sociais já deve ter visto este ano uma lista de #Natal com alguns itens riscados e uma mensagem de consciencialização, como "estar presente" em vez de "dar presentes". Se a viu, provavelmente estava ausente do mundo real, porque quase sempre é isso que significa estar online. As tecnologias estão presentes no dia-a-dia e deixamos que se infiltrassem nas nossas rotinas a tal ponto que muitos de nós provavelmente não consegue estar sem elas. Foi isso que demonstrou um estudo publicado na revista Science este ano: 18 de 42 voluntários de uma experiência escolheram levar um choque eléctrico leve a passar 15 minutos apenas com os seus próprios pensamentos por estarem, segundo os cientistas, aborrecidos e sem acesso a aparelhos electrónicos.

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Poderá ser exagerado afirmar, apenas a partir desta experiência, que o facto de estarmos constantemente ligados ao mundo virtual fez com que passassemos a estar desligados da realidade. Afinal, o que mais há na internet são mensagens de descontentamento sobre a realidade, certo? Mas o que acontece é que o número de horas não aumentou, por isso o tempo que passamos a usar a internet foi roubado a outras actividades. Estar na internet tornou-se simultaneamente um refúgio das nossas preocupações e um lugar onde podemos desabafar.

Mas usar as redes sociais, ironicamente, isola os utilizadores da sociedade. Um estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences em 2013, divulgou as conclusões retiradas da observação de 6500 homens e mulheres durante sete anos: o isolamento e a solidão aumentaram as probabilidades de morte prematura de 10% para 25% nesse espaço de tempo, independentemente das condições de saúde.

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Passarmos mais tempo online também diminui o tempo de contacto humano e de actividades físicas. Ambos os aspectos estão intimamente ligados ao aparecimento de problemas como a depressão que, segundo ficámos a saber na semana passada, atinge quase 8% da população e tem um grande impacto na qualidade de vida na sociedade, e também obesidade, problema que gera também outras doenças graves.

Recarregue as suas baterias

O constante uso de tecnologia para aliviar a rotina ou como entretenimento pode ser perigoso. Além de não sabermos os limites do exagero (e lembre-se que recentemente surgiu o primeiro caso clínico de um utilizador viciado no Google Glass), não sabemos os efeitos a longo prazo desse exagero. Só há pouco tempo se soube que podemos estar em vias de alterar a nossa postura devido ao exagerado uso dos nossos telemóveis, que está a causar danos na coluna.

Por isso, aproveite esta quadra natalícia para dar férias aos aparelhos electrónicos e perceber os efeitos do seu uso na sua vida.

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Se tiver filhos, ainda melhor, já que a maioria dos jovens apresenta indícios de que poderá estar viciado na internet. Os sintomas desse vício são semelhantes a outros distúrbios psicológicos, com níveis de ansiedade, irritabilidade e impacto no quotidiano que poderão intensificar-se quanto mais as crianças se acomodam ao mundo virtual. Recorde-se que nem Steve Jobs, fundador da Apple, deixava os filhos usarem gadgets por receio das consequências.

Lembre-se também que há 20 anos, era normal as crianças brincarem na rua e isso nunca lhes fez mal, além de algumas feridas nos joelhos. Já a actual normalidade de estar constantemente a usar gadgets até tendinites provoca, e tem vindo a provar não ser a melhor forma de crianças e adultos passarem o seu tempo.