Nasceu em Vila Nova de Famalicão a ideia de Joana Cardoso e Tiago Almeida. Através da Delightbugs, uma empresa distinguida pela autarquia local, os dois empresários pretendem criar grilos para produzir farinha alimentar. A premissa é simples: triturar grilos e usar o produto como ingrediente em alimentos processados. "Se pensarmos que uma farinha de grilo tem duas vezes mais proteína do que um bife, já podemos fazer uma pequena ideia do potencial do produto que vamos pôr à disposição da indústria alimentar", explicou à Lusa um dos empresários por trás da ideia.

Está previsto que, em seis meses, a farinha de grilo faça já parte dos ingredientes de alimentos como pão, enchidos e cereais.

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A iniciativa poderá não ser bem recebida pelos consumidores, mas será uma boa motivação para ler os rótulos dos produtos e fazer compras mais conscientes. Se por outro lado for bem aceite, os grilos serão apenas o começo da entomofagia no país.

Na Holanda, os supermercados Jumbo vão alargar a sua oferta ao comercializar produtos com insectos nos seus ingredientes. A partir do próximo ano, vai ser possível escolher alimentos com farinha de vermes, por exemplo. A Bélgica é um dos poucos países na Europa onde já se vendem produtos com insectos, sendo um dos mais populares o verme de búfalo. A entomofagia está claramente a ganhar mais adeptos. Sinal disso foi o guia britânico recentemente lançado para harmonizar vinhos com insectos. Não tarda, estes organismos serão sinónimo de alimento em mais países do mundo.

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Nós já comemos insectos

Não estamos a falar dos dois mil milhões de pessoas que consomem insectos regularmente de livre e espontânea vontade em todo o mundo, mas da quantidade de teor orgânico permitido nos alimentos. Por exemplo, em 2013, a cadeia ABC chocou os norte-americanos ao noticiar que a Food and Drugs Administration (FDA), responsável por regular alimentos e produtos farmacêuticos no país, permitia um certo nível de insectos em produtos como chocolate, que podem conter até 60 pedaços de insectos, incluindo baratas. Os alimentos que contêm tipos de farinha estão sujeitos a conter estes organismos na sua composição, já que estes penetram no sistema de transporte e muitas vezes vão parar à matéria-prima que depois é triturada.

Embora na Europa o corante vermelho seja geralmente produzido através de alimentos como a beterraba, do outro lado do Atlântico é mais comum este corante ser feito através do insecto mexicano conhecido como "cochonilha". A designação deste corante é E120, pelo que se encontrar este termo nos ingredientes dos seus produtos avermelhados, saiba que a tonalidade é proveniente deste insecto.

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Apesar de estarmos habituados a ler que certos produtos "podem conter vestígios" de frutos secos e outros, a União Europeia estabelece um limite ou "teores máximos de certos contaminantes", segundo se lê no site dedicado à segurança alimentar. Alguns desses contaminantes tóxicos são provenientes de fungos e outros organismos vivos. O controlo é exigente e rígido, abrangendo produtos importados, mas não há garantias de que não existam também insectos nos nossos alimentos. Em Portugal é a ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) a responsável por pôr em prática medidas de controlo que eliminam a possibilidade de consumirmos inadvertidamente insectos, mas também neste caso não há garantias, especialmente quando o consumidor compra produtos a vendedores não certificados. #Inovação #Culinária