Existem espaços que marcam a identidade de um povo, de uma nação. O Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra é certamente um desses casos. Proponho, ao leitor, uma visita a este local sagrado, que assume uma importância artística e obviamente histórica. Localizado na Praça 8 de maio, em Coimbra, o Mosteiro de Santa Cruz, "esconde" diversas curiosidades.

Fundado em 1131 por São Teotónio - o primeiro santo de Portugal e primeiro Prior do Mosteiro - e por mais religiosos, que juntos formaram a regra dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, o Mosteiro de Santa Cruz recebeu apoios papais e doações dos primeiros reis de Portugal, tornando-se a mais importante casa monástica do reino.

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Crê-se que Mestre Roberto tenha sido o responsável pelo projeto e direção das obras.

Na Idade Média a sua escola foi uma das mais prestigiantes instituições de ensino do Portugal, sendo de destacar a sua vasta biblioteca e o seu dinâmico "scriptorium". À época de D. Afonso Henriques esse "scriptorium" foi utilizado como forma de consolidar o poder real. Esta "máquina" de propaganda foi tão forte que, durante vários séculos, o valor real do segundo rei português no que respeita ao desenvolvimento do país foi deturpado. Historiadores como Alexandre Herculano acreditavam que o filho do primeiro monarca português, D. Sancho I, tinha tido um reinado cujo relevo era pouco significativo. Porém, nas décadas mais recentes, vários historiadores indicam que essa perspetiva não corresponde à realidade.

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Este espaço é também conhecido pelo fato de aqui ter estudado Fernando de Bulhões. Não está a reconhecer este nome? E se lhe disser que esta personalidade era natural de Lisboa e está sepultado em Pádua (Itália)? E que é mais conhecido por…Santo António?! Foi ali, que aprofundou os seus estudos religiosos.

Do primitivo mosteiro românico infelizmente existem poucos vestígios. O Mosteiro de Santa Cruz foi reformulado ao longo dos tempos. Na primeira metade do século XVI decorreu a principal transformação, que conferiu ao edifício o aspecto actual. O Rei D. Manuel I optou por artistas de excelência que então trabalhavam no reino: Diogo de Castilho, Machim e João de Ruão, Cristóvão de Figueiredo e Vasco Fernandes, Boytac, Marcos Pires e Chanterenne.

A Assembleia da República reconheceu o Mosteiro como Panteão Nacional, através do diploma publicado no Diário da República, I Série, 22-08-2003, Lei n.º 35/2003. Deixe-se encantar por este local e visite-o. Porque a nossa história, a História de Portugal, também passa por aqui... #Turismo