Vários estudos indicam que comemos demais principalmente devido a factores externos. Ora porque os alimentos estão mais saborosos e coloridos graças ao uso de químicos nos ingredientes, ora porque estamos distraídos enquanto comemos, ora porque recorremos a refeições prontas. Há mais factores que explicam a razão por detrás dos quilos a mais, mas todos eles se resumem ao contexto. O investigador Brian Wansink, recentemente eleito pelo governo dos Estados Unidos para actualizar as recomendações nutricionais do país, descobriu que temos, literalmente, "mais olhos que barriga".

Segundo o especialista, é a visão o sentido responsável por alertar o cérebro sobre o apetite.

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Não o estômago. Numa experiência, o norte-americano serviu tigelas de sopa a voluntários, mas algumas delas tinham um tubo escondido que enchia as tigelas com 70% mais sopa do que as normais; salvo raras excepções, ninguém disse estar mais cheio do que os outros. Segundo Brian Wansink, há uma "margem inconsciente" no número de calorias que consumimos: o corpo não percebe a diferença entre consumir 1900 calorias ou 2000, por exemplo. Essa margem pode ser mínima, mas a longo prazo é importante e podemos usá-la a nosso favor.

Como? Algumas das dicas do investigador são de senso comum. Por exemplo, não ter à mão alimentos calóricos e fazer uso da preguiça ao colocá-los longe dos locais onde passamos mais tempo. A Google, por exemplo, oferecia aos seus funcionários tigelas de M&M's e a partir do momento em que a empresa os colocou em recipientes com uma tampa, os funcionários consumiram menos três milhões de M&M's no espaço de um mês.

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Planeie antes de comprar ou comer. Brian Wansink fez também experiências com pessoas magras e pessoas obesas num bufê e descobriu que as mais magras observam as opções antes de escolher o que colocar no prato, enquanto que as obesas começavam desde logo a encher o seu. As pessoas mais magras escolhiam também lugares mais afastados e de costas para a comida, ao contrário dos outros, que estavam assim mais sujeitos a serem influenciados por outros consumidores que se serviam de mais.

Informe-se ao ler os rótulos. As pessoas que pratiquem exercício físico mas não se preocupam com os ingredientes dos seus produtos têm menos probabilidades de emagrecer do que aqueles que não se exercitavam mas liam os rótulos. Informar-se é também uma das formas de combater a impulsividade.

Pratos mais pequenos mas cheios enganam os olhos, pois o cérebro não regista a proporção do prato, mas sim o facto de este estar cheio.

A cor tem também um impacto importante nos nossos hábitos. Uma investigação australiana registou há pouco tempo que beber café numa chávena branca aumenta a percepção do seu sabor amargo e que usar uma chávena azul faz com que este pareça mais doce.

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Uma das más notícias é que qualquer companhia é má influência às refeições. Comer com outra pessoa leva-nos a consumir 35% mais do que se estivéssemos sozinhos e refeições com grupos de mais de sete pessoas faz com que comamos 96% mais.

A variedade leva-nos também a comer mais. Pessoas a quem sejam dadas três opções acabam por comer 23% mais do que aquelas a quem tinha sido dada apenas uma opção. O melhor será reduzir na variedade, mas não na qualidade.

Todas estas são dicas retiradas a partir de estudos científicos que comprovam que a psicologia tem um grande peso quando se quer perder peso. O ideal é usá-la a seu favor no quotidiano. #Culinária #Curiosidades