Inspirado na migração, "Vai Vem" é um espetáculo inédito construído em parceria pelo GATO SA e pelo encenador Juan Carlos Agudelo Plata, que se deslocou a Portugal de propósito para esta produção conjunta, em que os atores foram envolvidos na criação das próprias cenas. Durante o espetáculo não são pronunciadas palavras, mas o apelo aos sentidos é evidente, pelo recurso a sons, música, gestos e imagens criadas pelas várias personagens encarnadas pelos atores Helena Rosa, Raul Oliveira, Marina Leonardo e Tomás Porto.

"Partimos de um tema inicial, que é a migração", começa por revelar o encenador Juan Carlos, que tem uma longa experiência na linguagem do teatro físico na Colômbia, com a Casa Del Silêncio, a sua companhia profissional, com a qual já tinha estado antes em Portugal.

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"É importante trabalhar temas universais, para que tanto um português, como um colombiano, um chinês, um francês, um americano ou um russo entenda. Todos se identificam. É importante encontrar uma estética universal. Isso é o teatro físico. Tem que ter capacidade de tocar o ser humano, venha de onde venha", defende para explicar o recurso à expressão física, pouco usada em Portugal.

O espetáculo, a que chamaram "Vai Vem", está construído de forma a que o público encontre várias referências com que se possa identificar. "São pequenas histórias que falam da emigração. O mar, a saudade, a solidão, recordações...", adianta, sem querer desvendar mais. Juan Carlos e a sua companhia de Bogotá trabalham essencialmente o teatro gestual, físico, sem texto nem palavras, com base na escola de Étienne Decroux, considerado o "pai da mímica moderna", e de Marcel Marceau, com quem o encenador colombiano trabalhou.

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Esta é uma forma de fazer teatro completamente diferente do habitual em Portugal e mesmo pouco usada no país, segundo Mário Primo, diretor artístico do GATO SA, grupo de teatro de Vila Nova de Santo André, na Costa Alentejana. "É inédito para a Ajagato e para a região", destaca. "É inédito também em Portugal, porque não conheço nenhuma companhia que trabalhe com este género de linguagem no país", sublinha.

A ideia de criar um projeto conjunto nasceu em Junho do ano passado, após a segunda visita de Juan Carlos a Vila Nova de Santo André, Santiago do Cacém, para a Mostra Internacional de Teatro. Em Setembro, Mário Primo começou a trabalhar nos preparativos. Em Outubro já Juan Carlos estava de regresso para trabalhar com os quatro atores portugueses que compõem o elenco do espetáculo.

A expectativa, revela o encenador português, é criar "um intercâmbio cultural luso-colombiano". Além do trabalho de Juan Carlos em Portugal, é aspiração de Mário Primo levar "Vai Vem" à Colômbia e, até mesmo antes, internacionalizá-lo em países mais próximos, como a Espanha.

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Para já a estreia em Lisboa, n'A Barraca, está agendada para o dia 02 de Abril, pelas 21h30. Ficará em cena até dia 05 e regressa novamente ao palco no mesmo local de 9 a 12 de Abril, sempre no mesmo horário, excepto ao domingo, em que começa pelas 16h30. Os bilhetes custam 10 euros, mas há descontos para estudantes, menores de 25 e maiores de 65 anos, bem como para profissionais da área do espetáculo.