Esta semana, mergulhamos nas profundezas inexoráveis da carta de Tarot “O Eremita”. Quando pensamos num eremita, imaginamos imediatamente um ancião de longas barbas brancas, pele enrugada e um olhar perdido no tempo, isolado numa caverna silenciosa e cheia de teias de aranha, dentro de uma montanha. Se, para alguns de nós, a ideia da solidão é aterradora, para outros, esta pode soar tão atractiva quanto umas belas e merecidas férias longe do mundo poluído por excesso de informações, barulhos, tralha e emoções.

Na verdade, não é preciso viajarmos até ao interior de uma montanha num local remoto para nos depararmos com um eremita.

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Encontramo-los diariamente na rua, no local de trabalho, na escola, no café, na praia, nos centros comerciais. Vemos um sempre que nos encaramos ao espelho. Cada vez falamos menos uns com os outros, de olhos nos olhos. E ainda menos connosco próprios.

As pessoas vêem o mundo através de um écran, seja este o da televisão, do tablet, do computador, do telemóvel… Estão isolados na confortável caverna das ilusões, de onde apreciam belas fotos do pôr do Sol, quando este está a acontecer nesse preciso momento, sem que eles saibam - bastaria tirar os olhos do écran e olhar para o céu. Platão ficaria estarrecido se voltasse a viver: anos de evolução e está tudo igual!

A diferença entre os eremitas de hoje e os de antigamente, sem referir a caverna onde nos isolamos, que não é feita de pedra fria, mas de gélida tecnologia de ponta, é que as respostas que surgem são um autêntico pacote de massas para sopa de letras que se entornaram no chão e, quanto mais tentamos criar palavras, conceitos e encontrar uma lógica nisto tudo, mais confusos ficamos. Os senhores das barbas brancas não tinham wi-fi, mas estavam, sem dúvida, muito mais conectados que nós.

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A proposta que deixo para esta semana é que tentemos ser eremitas mais sábios e saudáveis, como os antigos. Não na parte que concerne aos seus longos jejuns, bem entendido, mas no que diz respeito a descobrir uma forma de vivermos em serenidade connosco, sem medo de nos cruzarmos com as nossas sombras no virar da esquina da solidão. Elas irão acabar por aparecer. E apenas nos resta abraçá-las como uma parte de nós. Só assim encontraremos a paz.

Coloquemos o mundo exterior e as tecnologias em pausa por um pouco e olhemos para dentro com clareza e em silêncio. A solidão é a nossa maior mestra. Escutemos o que ela tem para nos ensinar. Porque, como se diz, e bem, nem todas as respostas vêm no Google.

A Carta da Semana é uma mensagem genérica de inspiração para todos, independentemente do signo, que pode ser interpretada como uma fonte de reflexão ou mesmo de orientação, se assim o sentir nestas palavras. #Entretenimento