A réplica histórica do tradicional barco de "água-arriba" permite-nos agora realizar uma viagem inesquecível que recria o passado no rio Lima. De difícil execução e manobra, este tipo de embarcação de pouco calado, com fundo chato, é construído com madeira da região e, como antigamente, movido “a vara e à vela”, aproveitando a força da corrente.

Em tempos idos, quando faltavam estradas, este barco com leme, vela e cerca de 12 a 18 metros de comprimento era o maior veículo de transporte de pessoas, animais e mercadorias que circulava entre Viana do Castelo e Ponte da Barca. Existiam ainda barcas mais pequenas, puxadas à vara, utilizadas para a pesca e passagem de pessoas de uma margem para a outra.

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Era dura a vida dos barqueiros de "água-arriba" que passavam, no rio, a maior parte do tempo. Hoje, em passeio, com um máximo de 19 pessoas a bordo, recordam-no de forma lúdica, evocando as façanhas desse tempo quase perdido na memória.

O barco encontra-se ancorado no antigo cais da freguesia de Lanheses, no percurso do Caminho de Santiago, junto ao local conhecido por Lugar da Passagem, onde durante séculos se fez a travessia. Em 2003, foram descobertas em Lanheses duas pirogas do século III a.C. que comprovam a actividade milenar deste rio embrenhado em paisagem paradisíaca. Não por acaso, o brasão de Lanheses ilustra ao centro um barco à vela, tendo recentemente a sua junta de freguesia aberto um eco-museu ligado à navegação.

Durante a travessia turística é recordada a lenda do Rio do Esquecimento pois, dada a beleza que envolve o Lima, não faltou quem acreditasse ser o Lete, um dos cursos do Hades onde quem bebia a água esquecia as vidas passadas.

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Pelo percurso fluvial, mais se observam e identificam as principais espécies de aves.

Este local, de facto privilegiado pela beleza extraordinária, possui uma extensão de areal muito ampla — a maior de todo o Vale do Lima. Em toda a área está implantada uma diversidade de plantas e arbustos onde abundam o amieiro, salgueiro, austrália e mimosa. Toda esta vegetação é de extrema importância para a manutenção e caracterização do leito do rio, na medida em que a erosão das margens.

Várias entidades chegaram a promover pontualmente a actividade no barco de "água-arriba", como a própria Junta de Freguesia de Lanheses. Porém, o Paço de Lanheses, classificado como Monumento de Interesse Público, está à frente das manobras, acrescentando-lhe um pequeno percurso pedestre onde se reconhecem plantas aromáticas e medicinais, assim como se observam garranos, e se organizam piqueniques a pedido.

Esta casa nobre, situada em propriedade agrícola privada, pode também ser visitada pois está aberta ao turismo, dando a possibilidade ao viajante de aí pernoitar antes e depois da jornada de barco. A história do Paço de Lanheses remete ao período dos Descobrimentos.

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Pertence aos condes de Almada e Avranches desde 1818, por ocasião do casamento do conde de Almada com a herdeira desta propriedade, filha única do 1.º senhor da então Vila Nova de Lanhezes. Ao casar, o conde de Lisboa assume o seu lugar na casa que pertencia à família minhota desde o século XVI.

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