Estivémos com o irreverente e polémico Francisco Soares, mais conhecido por “Kiko Is Hot” no mundo da Internet. É um dos youtubers mais influentes no nosso país e o seu canal já ultrapassou os 100 mil subscritores.

Porquê Kiko is Hot?

Toda a gente na minha vida me trata por ‘’Kiko’’ sempre foi assim. O ‘’is hot’’ na altura foi uma maneira de afirmação. Hoje em dia, os meus amigos dizem-me muitas vezes que percebem o meu nome porque eu na verdade estou sempre com calor!

Como é que surgiu a ideia de criar um canal no YouTube e começar a fazer vídeos?

Surgiu de uma necessidade de ser ouvido, uma necessidade de procurar pessoas que pensassem como eu, mais tarde começou também a ser uma forma de fazer as pessoas rir, refletir sobre assuntos mais sérios.

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O aborrecimento das férias de Verão e isso juntaram-se, e voilá! Nasceu o canal.

Sentes que tens alguma mensagem para passar às pessoas que te assistem?

Sinto, quero passar a mensagem que é possível ter sucesso e conseguir aquilo que queres sem teres de te submeter aos valores/julgamentos da nossa sociedade. Não deixes o teu freak interior morrer porque serás mais bem sucedido se fores ‘’sério’’, não deixes a tua criança interior morrer. Agarro-me à minha com muita força. E acima de tudo, sê um individuo, interior e exteriormente.

Consideras-te uma voz da nova geração?

É um bocado egóico, a meu ver, responder esta pergunta. Mas, ao mesmo tempo, fui aprendendo com o tempo que, é importante perceber o nosso próprio valor e as nossas próprias capacidades. Mas eu gosto de pensar que sim, gosto de pensar que sou alguém em quem nem toda a gente tropeça todos os dias, mas que com as minhas ideias e maneiras de ver a vida, possam fazer pessoas pensar de maneira diferente.

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De uma maneira com menos julgamento, com mais aceitação pelos outros. Fazes vídeos sobre vários temas e, em muitos deles, dás a tua opinião sobre alguns assuntos da atualidade (como, por exemplo, o mediático caso de Bullying na Figueira da Foz). Existe quem concorda contigo, e quem discorda totalmente. Costumas sofrer "ataques” por parte das pessoas que não têm a mesma opinião que tu?

Os ataques acontecem, a maior parte das vezes, na Internet. Desenvolvi uma ‘’carapaça rija’’ ao longo dos anos porque a vida assim me obrigou. Tento sempre olhar para as coisas em perspetiva de aprendizagem, se for uma crítica construtiva tento perceber a intenção da pessoa. Se for um fã que vê os meus vídeos e não gostar de uma opinião minha, eu não levo a mal. Mas também não consigo, nem é suposto, agradar a toda a gente. Agora quando as críticas são relativas à minha sexualidade ou imagem, a história é diferente, ignoro a 100% e abano a cabeça.

Em vários vídeos referes a tua orientação sexual, inclusive já criaste paródias à volta desse tema. Algumas pessoas apoiam-te e adoram... outras nem tanto. Consideras que existe algum motivo para ser tão importante às pessoas que te assistem, falar sobre isso?

É importante trazer o assunto à mesa.

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Se eu estou numa posição pública acho que não deve ser só ‘’para aparecer’’... Muitas pessoas não entendem o porquê de eu fazer paródias à volta da minha sexualidade. E eu passo a explicar: isso desmistifica e altera a conotação da palavra ‘’paneleiro’’ ou ‘’gay’’. Ao tirarmos o valor, o poder, a força que esse ‘’insulto’’ geralmente tem, podemos alterar o seu efeito nas pessoas que sofrem discriminação. ‘’Sim, eu sou paneleiro’’; ‘’Sim, eu sou gay, mas também sou alto, tenho olhos verdes, gosto de viajar etc’’. É tratar de assuntos ‘’polémicos’’, com naturalidade. Fazer com que ‘’gay’’ ou ‘’paneleiro’’ seja tão banal que no futuro possamos chamar de ‘’casamento’’ e não ‘’casamento gay’’, ‘’adopção’’ e não ‘’adopção gay’’. 

Existem pessoas que não gostam desses vídeos. Consideram que não se deve ‘’espetar’’ na cara das pessoas, as questões gay/bi/trans. Como se não fosse espetado na cara das crianças as relações heterossexuais. Quando eu cresci, só havia homens a beijar mulheres na TV, as mulheres usavam maquilhagem, os anúncios mostravam uma família hétero feliz a barrar manteiga numa fatia de pão... Essa é a norma que criam para nós, e eu sentia que não pertencia. Tinha medo de explorar a minha criatividade, daí ser tão importante falar destas questões. 

Ninguém quer criar uma sociedade só com pessoas #LGBT, mas é importante falar destes assuntos para poder, pelo menos, criar uma possibilidade de uma criança que nasça gay/bi/trans não se sentir um outsider

És uma figura polémica, não só pelo que transmites em vídeo, mas também pelo teu look. Como lidas com o preconceito que é exposto em comentários no teu canal do YouTube?

Não lido. Cada vez lido menos. É preferível não ver, às vezes, os comentários maus. O problema que as pessoas têm comigo, é problema delas, não é o meu. Se consideras aceite odiar alguém pelo seu visual, então eu não quero mesmo que gostes de mim, porque nunca na vida quereria rodear-me de alguém que pensasse dessa maneira.

O teu canal é um dos mais populares em Portugal e tem mais de 100 mil subscritores… Como atingiste este sucesso?

Honestidade, autenticidade, saber o que resulta e não. As pessoas detetam se não fores genuíno, e mesmo tu te sentes exausto se fores outra pessoa nos vídeos. Vou admitir que tentei fazer isso durante algum tempo... Recentemente, senti-me num ponto da minha vida em que já não me fazia sentido falar sobre as “pitas do Facebook”, já fez, mas agora não. Não me apetece, nem quero falar sobre a “Casa dos Segredos”, mesmo sabendo que ia ter visualizações, vai contra aquilo que eu acredito. Escolho produzir conteúdo de que eu me orgulhe, conteúdo que eu me divirto a fazer. Porque se eu não me divertir, não será certamente conteúdo divertido para ninguém.

Olhas para os teus seguidores como teus amigos? Isto é... torna-se fácil confundir o «mundo virtual» com o «mundo real»?

Não diria amigos, a palavra Amigo tem uma conotação forte para mim. Mas, já foram uma grande e preciosa ajuda na minha vida. Nos momentos mais baixos em que parecia que só havia ódio a vir no meu caminho, foram os comentários bons que me asseguraram que havia espaço e aceitação suficientes para eu continuar com o meu canal, ou entrar em outros projectos. São pessoas que estarei para sempre grato de estarem a fazer parte de uma fase fantástica da minha vida, e, de algumas me acompanharem há 4 anos! Viram-me crescer, e cresceram comigo, é bastante compensador.

Tens alguma história engraçada com algum(a) fã que querias partilhar?

Quando fui a Londres fui reconhecido por portugueses que vivem lá. Uma rapariga, em Oxford Circus, deu um salto para a minha frente e gritou ‘’KIKO’’. Eu assustei-me, mas foi bastante querido, estava meio perdido então pedi-lhe ajuda para chegar a um sítio. Não estava nada à espera que no meio daquela ‘’cidade caos’’ alguém me reconhecesse.

Existe muita gente curiosa em relação ao quanto é que os youtubers ganham com os seus vídeos. Hoje em dia consegues gerir a tua vida com o dinheiro que o YouTube te dá?

As pessoas são curiosas sobre muitas coisas que não interessam. Se as pessoas estão curiosas se vale a pena começarem com o YouTube, para ficarem ricas, esqueçam. Não é algo que possas fazer pelo dinheiro, só se tiveres uma paixão real e genuína.

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