Se as diferenças culturais estão escritas e definidas, chegamos à #china e verificámos que não saber ler é um handicap gravíssimo. Porque mesmo nos países de línguas ocidentalmente menos perceptíveis temos uma relação qualquer com os “ós”, os “erres”, os “tês” e com as restantes letras do alfabeto. Temos uma relação de família que nos permite adivinhar o que pode significar café, direita ou esquerda, verde ou azul. Na China as imagens não falam. Porq...ue não são letras, são imagens!

Viajar pela China não é um desafio cultural. A honra, a dignidade e a malvadez atravessam Ocidente e Oriente em ritos distintos. Agora, estar na China é um desafio de quotidiano.

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Essencialmente isso: quotidiano. É não saber abrir um iogurte e pensar que o sabemos abrir; são os interruptores da luz que não ligam à primeira; é obliterar um bilhete do autocarro fora da porta da entrada; é ter semáforos nas auto-estradas.

O problema agudiza-se quando estabelecemos relações com as pessoas. É sempre um risco tremendo: nunca se sabe quando um gesto tem o invertido significado da amabilidade. Percebemos que falar é um acto difícil quando temos de estar imóveis. É sempre uma dúvida. A dúvida da fronteira do respeito. Nunca sabemos quando estamos a ultrapassar essa fronteira ou, por outro lado, se os outros nos estão mesmo a faltar ao respeito. Para resolver essa dúvida só nos resta abolir a fronteira. Eliminá-la. E perceber que o jogo do aleatório, do risco, é a melhor forma de saber estar e saber socializar na China.

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Na China, por muito versáteis que sejamos, percebemos que somos ocidentais das pontas dos pés ao último cabelo.

Quando jogamos nesse tabuleiro aleatório, percebemos que os chineses não são hostis. Não rejeitam aquilo que lhes é estranho. É-lhes habitual. São vendedores, por exemplo. Vendem muito e aceitam a rejeição sempre com um sorriso. São ritualizados. São simpáticos. Mas têm coisas difíceis de entender: o universal conceito de sujidade, que para nós termina em Braga e para eles termina em Paris. Mas, mesmo olhando para a Torre Eiffel, os chineses sentem-se limpos nas suas sandálias enlameadas ao expoente da loucura. É lavar alfaces em banheiras. É não ter autoclismos. Diferenças de quotidiano. O tal quotidiano que tem diferenças que a diferença desconhece. #Cultura #Viagens