A terra dos cowboys é, afinal, a terra das religiões. Bem, de algumas religiões ou de alguns cultos, sendo que, pensando mais a fundo, chegamos à conclusão de que tudo vai dar ao mesmo. Saindo do centro de Houston encontramos, com facilidade, locais de culto e igrejas. Então as do “Cenáculo de Lá Fé” aparecem por todo o lado. E também citações nas esquinas e nas longas avenidas. Tudo em castelhano e em inglês. No Texas, mais do que vermos ranchos, xerifes ou vaqueiros, verificamos que não é preciso falar inglês para nos fazermos entender. Até em português, bem devagarinho, todos no #texas percebem o que dizemos. Aliás, o Texas difere bastante daquilo que nos é pintado na banda desenhada.  

As ruas da cidade de Houston são praticamente vazias durante os dias da semana. O conceito de cidade-fantasma é assumido. A cidade funciona através de um sistema de túneis por onde todos se deslocam durante as horas de trabalho. Cuja entrada se faz através de cartões. É encontrar por debaixo da cidade amplos centros comerciais, cadeias de fast-food e lojas de alto gabarito. Tudo lacrado, numa espécie de cápsula em que, estranhamente, até nem nos sentimos claustrofóbicos. Uma quase claustrofobia. Que não se vê nem se sente, mas que sabemos que existe porque não se vê o sol nem se sente a chuva.

O Virtuoso, de David Adickes

Cá para fora, a “Houston exterior” tem também um bom manancial artístico. No campo da escultura, por exemplo. No centro de Houston podemos encontrar a estátua do “Virtuoso”, um trabalho de David Adickes que representa um violoncelista gigante. E a estátua toca mesmo! Basta não haver nem muito trânsito nem muito ruído e é garantido que brota música da estátua. O curioso prédio do “Wedding Cake” é criativo, diferente e dá um colorido particular ao conjunto interminável de prédios de uma cidade realmente grande. Mesmo grande!

Estátua de George W. Bush  

Outro ponto de referência é a estátua em honra a George W. Bush, ex-Presidente dos #estados unidos. Ao contrário do “Virtuoso”, não se trata de algo que seja arrebatador à vista. Tal como Bush também não foi. Pelo menos para os europeus. Mas é natural. Ao conhecermos os Estados Unidos, começamos a perceber o “porquê” de algumas escolhas que são feitas. Porque parece haver duas correntes de pensamento plenamente assumidas. Imutáveis. Irrevogáveis e inquestionáveis. Perceber os Estados Unidos fez-me perceber que a democracia pode ser interpretada como uma luta constante pelos melhores argumentos, em vez de uma troca flexível de formas de ver o mundo. Sem nunca nos questionarmos se o argumento do outro nos pode fazer pensar. Nem digo mudar, mas pelo menos fazer pensar. Pensar que nem tudo o que vem do desacordo é inapto ou errado. Porque no fundo é mesmo assim nos Estados Unidos: estamos certos e eles errados e vice-versa.

Space Center 

É claro que a maior atracção de Houston é mesmo o “Space Center”. Se o património e a história secular, com pedras e castelos, escasseiam por estes lados, tudo se compensa a partir do momento em que começamos a olhar para o espaço. Para o infinito e para as estrelas. Compreender as naves, os foguetões e tocar numa pedra lunar. É, de facto, uma boa experiência. E é como se os americanos nos dissessem: “podemos não ter muita história, mas a pouca que temos mais ninguém tem”. E não deixa de ser verdade. Mas há espaço para a surpresa: nunca pensei que um Centro Espacial pudesse ter tantas vacas e touro no seu interior!

Toyota Center

Depois há o desporto. No “Toyota Center”, assistir a um jogo dos Houston Rockets dá-nos a sensação de quase pisar o recinto de jogo. É ouvir a bola, o diálogo dos jogadores. As discussões com o árbitro. O desporto, nos Estados Unidos, é mais do que uma competição. É uma oportunidade de convívio em que o intervalo traz ao pavilhão quem não aprecia desporto. Isso ou um bom almoço no “Minute Maid”, enquanto nos borrifamos para um parado e monótono jogo de basebol. Digo eu, que desfrutei de um magnífico “t-bone” e de uma coca-cola! #Viagens