Vão-se multiplicando, um pouco por todo o território nacional, as manifestações de desagrado para com o caso BES. Esta manhã, cerca de duas dezenas de pessoas irromperam pelas instalações do Novo Banco, em Leiria. Em causa está o não pagamento do papel comercial que foi adquirido pelos clientes do antigo BES, que agora exigem o dinheiro que lhes é devido. No próximo sábado, dia 7, está agendado novo protesto, na alfândega do Porto, onde estarão presentes Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho, entre outras personalidades da vida política portuguesa, no âmbito do primeiro Encontro Nacional das Instituições de Solidariedade.

Ainda que Eduardo Stock da Cunha, presidente do Novo Banco, já tenha salientado por diversas vezes que não será fácil encontrar solução para os clientes com papel comercial, os manifestantes não desarmam. Com recurso a apitos, altifalantes e cartazes, as 20 pessoas fizeram-se ouvir na dependência daquela instituição bancária, em Leiria, e gritaram palavras de ordem como "Queremos o nosso dinheiro" ou "A luta continua".

No exterior, um dos lesados, de altifalante em punho, alertava, de forma irónica, para as pessoas não entrassem no banco. "É preciso termos muito cuidado quando vamos ao banco depositar as nossas poupanças, porque podemos ficar sem elas. Neste momento, já tudo é possível. Não acredito nos #Bancos", frisou, aos microfones da TVI. Mais exaltado, um outro manifestante deixou o aviso: "Há seis meses que ouço dizer que vão resolver o meu problema. Não lhes dou mais que dois meses. Quero que me olhem nos olhos e me digam que não me vão pagar. Nessa altura, nem sei o que me irá passar pela cabeça".

Como vem sendo hábito nestas manifestações nas dependências do Novo Banco, os manifestantes só começam a desmobilizar à hora de encerramento do banco, quando as forças policiais chegam ao local. Recorde-se que, no passado mês de agosto, o Banco de Portugal tomou as rédeas do BES, depois da instituição liderada por Ricardo Salgado ter apresentado prejuízos semestrais na ordem dos 3,6 mil milhões de euros. Em consequência, deu-se a divisão daquele banco em duas entidades: o banco mau, que engloba os activos e passivos tóxicos do BES, e o chamado banco de transição, o Novo Banco.