Estalou o verniz entre a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal, no distrito de Leiria, e o Sindicato Nacional dos Bombeiros Profissionais. Em causa está um Acordo Colectivo de Trabalho celebrado em Março de 2011. As divergências provocaram agora a demissão dos quatro elementos do Comando. Se na ocasião da assinatura do documento foi realçada a sua importância para a instituição centenária e para os mais de 40 bombeiros profissionais que ali prestam serviço, a realidade hoje é diferente.

O Sindicato acusa a Associação Humanitária de nunca ter cumprido aquele acordo e ameaçam recorrer ao Tribunal. Por sua vez, o presidente da direcção da instituição, Rodrigues Marques, considera que o documento "está armadilhado" e acusa a estrutura sindical de querer destruir a corporação. Rodrigues Marques alega que a interferência do sindicato levou às divergências com o comando da corporação que culminou com a demissão do comandante, segundo-comandante e os dois adjuntos. Contudo, o sindicato refere que nada tem a ver com aquela situação uma vez que apenas trata de assuntos de âmbito laboral, área onde a Associação Humanitária não está, no seu entender, a cumprir a lei.

A divergência entre as duas instituições tem levado Rodrigues Marques a recorrer a redes sociais e fóruns para passar a sua mensagem de que o sindicato está a destruir as associações humanitárias dos bombeiros voluntários do país que assinem o Acordo Colectivo de Trabalho. Uma posição corroborada pelo presidente da Câmara Municipal de Pombal e vice-presidente da direcção da Associação Humanitária. Na opinião de Luís Diogo Mateus, "hoje a associação vive intoxicada" e "sofre com os movimentos dirigidos por uma instituição sindical".

O autarca considera tratar-se de uma "experiência compulsiva e destrutiva" e revela-se muito preocupado com a postura dos bombeiros profissionais ao serviço daquela corporação de voluntários, por subscreverem as posições do Sindicato. Diogo Mateus não tem dúvidas que a reivindicação sindical pode colocar em risco a sustentabilidade, a longevidade e até o futuro da associação. "Pode ser fatal, pode ir consumindo as nossas forças e resistência e ir esgotando os nossos recursos humanos e financeiros", afirma o presidente da Câmara, acrescentando que "é um caminho que destrói, que debilita que consome e que pode matar a nossa associação".