"Foram cobardes em alto grau, pois tiveram se de juntar cinco para espancar o desgraçado indefeso"; foi desta forma que o tribunal se referiu aos 5 seguranças que, em Janeiro de 2012, espancaram um jovem de 23 anos até à morte. Os arguidos, entre os quais uma mulher, têm entre os 25 os 28 anos de idade e foram condenados, esta segunda-feira, 13 de Julho, a penas de 16 anos de prisão. Em causa estão crimes de homicídio qualificado em co-autoria e ainda um de detenção de arma proibida. Todos trabalhavam, à data dos factos, para uma empresa de segurança privada sedeada em Leiria.

O caso remonta à madrugada do dia 2 de Janeiro de 2012, por cerca das 05:30 horas, quando a vítima, de nacionalidade romena, abandonou uma conhecida discoteca no centro da cidade de Leiria. Um dos arguidos abordou-o, tendo-o levado para um local alguns metros afastado. Acabaria por fazer sinal aos restantes companheiros que, agarrando o jovem pelos braços e imobilizando-o, o espancaram violentamente. A vítima viria a ser encontrada mais tarde, prostrada no solo, por dois funcionários da discoteca. Apesar de socorrida e levada ao hospital, viria a falecer nesse mesmo dia.

Durante o julgamento, os 5 arguidos optaram pelo silêncio e não prestaram quaisquer declarações ao colectivo de juízes. No entanto, o despacho de acusação, dado como provado pelo tribunal, considera que estará em causa um acerto de contas, uma vez que o porteiro da discoteca aconselhou o jovem romeno a não entrar no estabelecimento, alegando que tinha ouvido dois dos arguidos a afirmar, à mesa de um café, que pretendiam "acertar contas" com ele [vítima].

Na leitura do acórdão, o presidente do colectivo de juízes não poupou palavras de censura pelo comportamento dos arguidos, afirmando que "manifestaram o maior desprezo pela vida" de um cidadão. Ainda na opinião do tribunal, aqueles arguidos "foram barbaramente decididos" pois não precisaram de levar a vítima para longe do local onde o esperaram. "Foi logo ali, a 25 metros da porta da discoteca" onde o agrediram "de uma violência desmedida", disse, acrescentando que "como seguranças de profissão que eram, esqueceram a ética da sua profissão e os valores que se supõe serem apanágio de um verdadeiro segurança".

Para além de condenados a 16 anos de prisão, os 5 arguidos, que continuam a aguardar em liberdade até ao trânsito em julgado do acórdão, terão de indemnizar o Centro Hospitalar de Leiria em cerca de 13.500 euros, relativos às despesas inerentes ao socorro da vítima. #Justiça #Crime