Inicialmente condenado a uma pena suspensa, o jovem condutor que abalroou uma rulote de comida rápida, provocando a morte de duas pessoas e ferimentos em mais de uma dezena de outras, viu o Tribunal da Relação mandá-lo para a prisão. O rapaz já está num estabelecimento prisional a cumprir a pena de 3 anos e 11 de meses. Atualmente tem 27 anos e o caso aconteceu na madrugada de 10 de Abril de 2011, nas proximidades da cidade de Pombal, no distrito de Leiria.

A decisão do Tribunal da Relação de Coimbra surge na sequência da apreciação dos recursos interpostos pelo Ministério Público e por algumas vítimas, incluindo os pais das duas vítimas mortais resultantes do acidente. Os recursos contestavam a decisão do Tribunal de Pombal que, em 2014, condenou o condutor, em cúmulo jurídico, a 3 anos e 11 meses de prisão, suspensa por igual período.

Agora, a Relação alterou aquela decisão para pena efectiva de prisão. Os juízes desembargadores consideram que existem “elevadíssimas razões de reprovação do crime”, tendo em conta as vidas “destruídas e a prevenção geral que se impõem neste tipo de actuação, que manifestamente se traduziu numa condução temerária”, “irresponsável” e “inadequada”. O mesmo tribunal considera que Henrique Longo, para além de ter “destruído” vidas, conduzia com velocidade excessiva, sob a influência do álcool, para além de conhecer o local e saber que estavam ali várias pessoas.

O caso remonta às quatro horas da madrugada do dia 10 de Abril de 2011, quando o arguido conduzia um veículo ligeiro de passageiros na Estrada Nacional (EN237) no sentido Louriçal/ Pombal, na localidade de Alto Granja, próximo da cidade. Na berma da estrada encontrava-se uma rulote de comida rápida junto à qual estava um grupo de mais de uma dezena de pessoas. Henrique Longo perdeu o controlo do automóvel, entrou em derrapagem e abalroou, não só os veículos que estavam estacionados na berma, como algumas das pessoas, projectando-as, vindo a imobilizar-se a cerca de 30 metros.

Do acidente resultou a morte imediata de uma jovem e ferimentos graves num outro, que acabaria por falecer dois dias depois no hospital. Por outro lado, do acidente resultaram ainda ferimentos em diversas pessoas que se encontravam no local, algumas feridas com gravidade que ainda hoje apresentam mazelas. O tribunal condenou o jovem condutor pela prática dos dois crimes de homicídio por negligência e quatro de ofensa à integridade física por negligência. Ficou obrigado ainda a entregar à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima a quantia de 3.600 euros. #Justiça #Acidente Rodoviário